Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Teresa de Jesus na minha vida
“Bendito sejais para sempre, pois, embora eu Vos deixasse, Vós não me deixastes a mim tão de todo que não me tornasse a levantar com o dardes-me sempre a mão…”
“Recuperai, Senhor, o tempo perdido, com dar-me graça no presente e no futuro a fim de que apareça diante de Vós com vestes de boda; pois se quereis, podeis.”
19 de Março de 2006
Celebrava eu com grande entusiasmo as minhas Bodas de Ouro na Companhia de Santa Teresa de Jesus. Uma data para evocar graças, muitíssimas graças que vamos recebendo dia a dia. Durante o ano de preparação que me propus para viver melhor essa data, dediquei-me a percorrer a minha vida na Companhia. Em cada etapa, em cada recordação, em cada experiência profunda e até em cada dor, encontrava-me com a figura amiga de Teresa de Jesus. Porque não posso separar da Santa de Ávila a minha vocação e trajectória de vida. E não falo de coincidências providenciais, que até as tenho – nasci num 28 de Março, baptizaram-me num 4 de Abril, sou a quinta de nove irmãos – mas das graças que Deus me tem concedido ao longo da vida.
Podia falar de três etapas ou momentos teresianos: a da devoção, a da conversão e a da amizade.
Fui devota de Teresa de Jesus como qualquer menina educada nas Teresianas, celebrando a sua festa, aprendendo as suas máximas, lendo depois os seus escritos mesmo sem os compreender demasiado.
Tive uma autêntica conversão lá pelos anos 70, quando os meus impulsos juvenis lutavam por superar dificuldades que apareciam na minha vida consagrada. Foi então, quando numa venturosa tarde de Outono, assisti a umas conferências do Padre Tomás de la Cruz Álvarez, meu mestre em espiritualidade teresiana. Sentia-me espelhada naquelas palavras do capítulo 7 da Vida: “Passava uma vida trabalhosíssima, porque na oração entendia melhor minhas faltas. Por uma parte me chamava Deus; por outra, eu seguia o mundo. Davam-me grande contento todas as coisas de Deus; traziam-me atada as do mundo” . E ainda me penetravam mais as palavras com que começa o capítulo 9: “Andava pois já a minha alma cansada e, embora quisesse, não a deixavam descansar os ruins costumes que tinha…” A experiência diante do Cristo chagado impressionou-me profundamente. Saí daquela conferência com a mesma resolução que Teresa: “Penso que Lhe disse então que não me levantaria dali até que fizesse o que Lhe suplicava” . E a minha súplica era a de Teresa:”dar-me de todo a Ele”. A minha vida, o sentido dela, deu uma volta de noventa graus. Continuei a ser uma imperfeita rematada, mas qualquer coisa dentro de mim tinha mudado totalmente. Desde aquele momento, inundou-me uma felicidade nova no meio das dificuldades, e posso afirmar que nunca mais me abandonou.
E começou o processo de amizade. O primeiro foi conhecê-la melhor. Estudei, li, meditei, orei. Até chegar a fazer meus todos os seus escritos. Na Vida, encontrei uma mulher apaixonada que me ajudava a superar as minhas paixões desordenadas e a deixar que fosse Jesus quem “ordenasse em mim o amor” . No Caminho de Perfeição, aprendi a orar com o Pai-nosso e a viver as virtudes necessárias para ser orante. As três que exige como preliminares: “amor de umas para com as outras, desprendimento de todas as coisas e humildade, que embora a diga em último lugar…”
E chegou o momento de mergulhar na intimidade mais profunda desse castelo interior que somos nós, e fazer das Moradas o meu livro de cabeceira. Junto dele, encontrei o caminho da paz, o beijo de Deus que Teresa descobre ao comentar o Cântico dos Cânticos.
Ter escrito sobre ela, ter dado muitos cursos e conferências não fizeram de mim uma expedita, mas sim uma apaixonada da Santa e, com ela, do Jesus do Evangelho que dá sentido completo à minha vida, da qual também posso dizer que é uma história das misericórdias do Senhor, e com mais razão do que Teresa, porque a minha miséria é maior.
Agora, numa nova, e suponho que última etapa da minha vida, descobri, junto dos marginais, a que eu chamo “mística da rua”, uma nova forma de viver com Teresa: “Isto quero eu, irmãs minhas, que procuremos alcançar, e não para gozar, mas para ter forças para servir” (VII Moradas, 4, 12).
Mª Victoria Molins, stj
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Ficheiro
2010-10-24
