Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
“como um fogo, que é grande…”
Sou religiosa da Pureza de Maria, uma Congregação de inspiração inaciana, mas quando alguém me pede que conte a minha vida ou vocação, sai inevitavelmente à luz Santa Teresa; e se perguntam os livros que deixaram marca em mim, o da sua Vida não pode faltar.
Nasci em Madrid. Quando tinha 15 anos, Maite, a minha maior amiga, já me falava da sua vocação religiosa. Aos 16, começou ela a visitar o mosteiro da Encarnação, a ler Santa Teresa e São João da Cruz. Eu era a confidente de tudo aquilo que me resultava um pouco grande, e ainda não queria confessar-lhe que também eu estava “tocada” pelo fascínio de ser de Jesus. Pertencíamos ao grupo cristão do colégio (chamado Foc em catalão, “fogo”), que periodicamente fazia excursões. E, quando nos tocou a nós prepararmos uma, conseguimos arranjar-nos para que fosse, precisamente, uma visita cultural a Ávila, durante a qual Maite se escapou por um momento para ir ver as suas monjas…
A ela devo, pois, o “bichinho” por ler a Vida de Santa Teresa, enquanto estudava para os exames de aferição. A minha vocação era o ensino no meu colégio da Pureza e nunca fui uma grande leitora. Mas a Vida “prendeu-me” e me afiançou em todos os meus sonhos. A conclusão a que cheguei foi tão viva e forte que sempre me tem acompanhado: “se é possível neste mundo uma relação com Deus como esta, eu quero-a”. Não me refiro com isto aos arroubamentos ou fenómenos extraordinários, mas a essa relação tão intensa, de tu a Tu, que a Santa garante estar ao alcance de todos os que tratam “de amizade”, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama” (Vida, 8,2).
… Passaram quase 30 anos depois daquilo. Hoje, Maite chama-se Maria Teresa da Cruz, no Carmelo de Cabrera (Salamanca, Espanha), e eu acabo de fazer as bodas de prata como religiosa da Pureza. Continua vivo em nós aquele primeiro encanto, alimentado dia a dia, porque o amor é “como um “fogo que é grande, e para que não se apague, é preciso que tenha que queimar” (Vida, 30,20).
Para mim, Teresa é a minha referência de mulher apaixonada por Jesus Cristo que, com esse fogo dentro, percorreu caminhos para o contagiar a outros. Que ela nos ajude a viver essa relação pessoal que os santos tiveram com Deus, que sempre desbordava para bem dos outros.
Irmã Blanca Palomo Sanz
Religiosa da Pureza de Maria e professora de química, Bilbau (Espanha).
Video
Ficheiro
2010-11-19
