Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Ressonâncias bíblicas em Santa Teresa
Santa Madre Teresa: O teu nome vibrou nos meus ouvidos desde sempre, por ter nascido e vivido a minha infância perto do teu sepulcro. Passou o tempo. Admirava-te e sentia orgulho por ti, mas não te conhecia. Descobri-te quando comecei a estudar as tuas vivências do Senhor – a tua Cristologia –. Aquilo foi um encontro, que me levou ao abismo. Deslumbrou-me a luz que emanava de ti porque percebi que a tua alma era uma só com a de Jesus, que te tinhas convertido num novo Paulo, porque a tua vida já era Cristo.
Desde esta tua transformação, descobri que eras uma história de salvação que Deus tinha cinzelado em ti para os novos tempos. Eras a Sagrada Escritura em miniatura. E parecia-me que se reescrevia o Génesis nos primeiros capítulos da tua autobiografia, quando nos falas de que tudo era bom na tua infância, de que sempre sofreste a tentação e a expulsão.
Mas observei imediatamente que também lá estava o Êxodo nas tuas saídas de casa e da Encarnação à procura de Deus, que Se fazia presente em ti de diversas maneiras, na tua descoberta da oração e da vocação. Eu ia de surpresa em surpresa, porque na tua subida violenta ao Carmelo, vi o profeta Elias, e quando fizeste a tua profissão nos seus cumes, vi-te bela na esposa do Cântico, e vieram-me à mente as palavras de Isaías: “Foi-lhe dada a glória do Líbano e a formosura do Carmelo”… e, sobretudo, as de Jeremias: “Introduzi-vos (te) na terra do Carmelo”… E quando estiveste paralítica mais de três anos, e um comentário de Job te reconfortou, compreendi que tinhas entrado em contacto com os sapienciais da Bíblia, que o Senhor te tinha permitido provar as noites de Job, e que assim poderias assessorar o teu Frei João nessas trevas da alma, que ele sabe converter em luz. E, depois, quando descuidaste um bocadinho a tua intensidade religiosa, que tu fustigas sem piedade, vieram-me à mente aquelas páginas em que Oseias e Jeremias acusam Israel de adultério.
Quando cheguei ai que chamamos conversão, no capítulo nova, descobri que entravas na nova aliança. E quando choravas diante das chagas de Cristo, ouvi o Deutero-Isaías: “Consolai, consolai o meu povo”, e aquelas outras: “Pelas suas chagas foram curados”, ou as de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus”. E, depois, quando Ele te envolvia como numa nuvem com a sua presença e não podias meditar, lembrava-me da nuvem do Êxodo ou da que envolveu o Senhor e seus discípulos no Tabor. E logo, quando os confessores não te compreendiam e te julgavam severamente, recordei o que aconteceu ao Senhor. Tal como a Ele o defendeu Nicodemos, e Gamaliel os discípulos, assim fez contigo o Padre Cetina.
Eu continuava admirado pelo bem que em ti se reflectia a Escritura, mas a minha surpresa foi enorme quando observei um paralelismo quase literal entre a tua conversão definitiva no capítulo vinte e quatro, com o sucedido aos Apóstolos no livro dos Actos (4,23-31), algum tempo depois de Pentecostes, quando eles sentiram que estremeciam as paredes do lugar onde se encontravam e se converteram por inteiro em cristãos. Foi o Espírito Santo quem o realizou, e tu sentiste também a conversão rezando ao Espírito Santo.
E, a partir de então, seguiste ainda mais na peugada do Novo Testamento: locuções de Cristo, visões do Ressuscitado – que bela aquela de Cristo esculpida na tua alma -, comunhão com a sua noite, experiência do Espírito (teu Pentecostes) e experiência de Deus (Pai); e vislumbrei-te nos cumes da nova aliança ao lado de João e Paulo.
E, já sem surpresa, comprovei que as folhas dos teus livros eram páginas arrancadas à Bíblia. Obrigado por me confidenciares a tua alma e os teus caminhos!
Secundino Castro Sánchez
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Ficheiro
2010-11-26
