Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Teresa: Mestra, nossa irmã, companheira de caminho...
Aproximo-me de Teresa, pela primeira vez, como quem se aproxima de uma mestra, com a carga de admiração e respeito que isso supõe. Mas aproximo-me, sobretudo, de uma irmã mais velha, amiga e companheira de caminho. Portanto, faço-o com carinho, agradecimento e cumplicidade.
Ante de mais, quero destacar um traço da sua rica personalidade, sempre presente na sua obra, que me tem marcado profundamente nestes últimos anos, e que alenta o meu caminho rumo à minha verdade mais profunda e, por isso, no meu caminho rumo a Deus: a sua autenticidade, a sua sinceridade, o seu compromisso de andar e convidar a andar sempre em verdade, fugindo de tudo o que em nós é ilusão e auto-engano. Obrigado, Teresa!
Feito este parêntese, através do qual procurei situar-me afectivamente em relação a Teresa e fazer-lhe uma negaça de cumplicidade, vou fixar-me no Caminho de Perfeição, leitura a que somos convidados ao longo deste ano. Destacarei só alguns aspectos e fá-lo-ei com a brevidade que este meio nos exige.
O primeiro é a constatação de que o magistério vertido por Santa Teresa nesta obra não se reduz à sua pequena comunidade de S. José, nem sequer unicamente às suas monjas carmelitas ou frades, mas que tem uma projecção universal. Creio, e é esta a experiência nos nossos grupos de oração, que o Caminho de Perfeição é uma referência muito válida para qualquer comunidade ou grupo que aspire a viver o espírito evangélico com a novidade e a frescura que Teresa nos propõe, e onde a oração é o ingrediente principal. Por isso, nos GOT (Grupos de Oração Teresiana) de que formo parte, sentimo-nos convidados e impelidos por Teresa a viver profundamente o sentido apostólico e eclesial da oração, determinando-nos a “fazer esse pouquinho que está em nós…” “Todas ocupadas em orar pelos que são defensores da Igreja…” Fugimos assim de uma oração individualista fechada na pessoa e nos grupos, à margem da sociedade em que nos tocou viver. “Está ardendo esse mundo […], não é tempo de tratar com Deus negócios de pouca importância”.
Em segundo lugar, quero salientar uma coisa que nela me seduz grandemente e é que Teresa não quer fazer de nós pessoas piedosas, mas verdadeiros orantes, isto é, homens e mulheres apaixonados e fraternos, livres e humildes. Homens e mulheres novos, ao estilo de Jesus. Uma coisa: “importa muito que compreendamos o muito que vai em guardar…amor umas às outras, outra, o desapego de todas as coisas criadas; a outra, a verdadeira humildade, que, embora a diga em último lugar, é a principal e abraça-as a todas”.
O terceiro aspecto em que me fixo é que resulta uma sorte aprender dela que a oração não é só para uns poucos privilegiados, mas para quantos queremos ser amigos de Deus. “Olhai que vos convida o Senhor a todos”. E, embora “não leve Deus a todos pelo mesmo caminho”, “não por isso desanime nem deixe a oração, que às vezes vem o Senhor muito tarde e paga tão bem e tão de uma vez, como em muitos anos fez tanto a outros…”
Confesso-vos com emoção que o meu caminho passa iniludivelmente pela oração e pelo magistério de Teresa, aprendendo através de seus filhos e filhas (frades e monjas carmelitas) e de tantos outros irmãos e irmãs que o Senhor tem posto no meu caminho no seio desta família Teresiana. “Bendito e louvado seja o Senhor, de Quem nos vem todo o bem que falamos e pensamos e fazemos”.
Maria de Jesus
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Ficheiro
2010-12-03
