Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Ficha de Trabalho: Caminho 32
Caminho 32: Oração de união, contemplação perfeita:
“Seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu”
Pistas de leitura.
1º) Depois das primeiras petições do Pai-nosso, “vejamos [agora] o que Ele quer que demos a Seu Pai” (32, 1). – 2º) Que exige isto que o Senhor “oferece em nosso nome” (32, 1). – 3º) E, finalmente, em que consiste o “quanto ganharemos em prestar este serviço a Seu Eterno Pai” (32, 9). Além disso, estar atentos às orações que aparecem e que recuperam protagonismo depois de quase não aparecerem em vários capítulos.
Para reflectir, rever a vida, interceder, agradecer, contemplar…
1. Parece clara a preocupação da Santa Madre de que sejamos conscientes das exigências desta petição: “damos tudo quanto podemos se o dermos como dizemos” (32, 1); “dizem só por dizer o que dizem todos, mas não para o fazer” (32, 3); “não vades cair depois no engano, dizendo que não o entendestes” (32, 5). – Costumas ter isto em conta quando rezas o Pai-nosso? – Que impli-cações pensas que pode ter isto actualmente na tua vida?
2. Não obstante o anterior, a vontade do Senhor não depende da nossa oração, mas há-de cum-prir-se “quer queiramos quer não” (32, 4). – A tua vida cristã e a tua oração centram-se nesta pro-cura da Presença e da vontade do Senhor ou, pelo contrário, estão demasiado centradas nos teus projectos, cálculos…? – É oportuno, neste momento, na tua vida, este convite: “fazei da necessi-dade virtude”? Recorda também o teu próprio caminho. – Foram importantes para ti estes conse-lhos nalgum acontecimento significativo ou conheces alguém para quem o tenha sido? Reflecte, agradece…
Cf. também com as reflexões sobre a oração de petição na última Ficha de Vida.
3. A propósito do parágrafo anterior (32, 4), a Santa põe-se a rezar: - vives tu o facto de estares à mercê da vontade do Senhor com essas atitudes, que ela manifesta, de agradecimento e disponi-bilidade, ou antes com resignação, fatalidade…? – Porquê, de uma maneira ou outra: que pessoas ou coisas pensas que te empurraram para um ou outro tipo de resposta? – Revê, ora…
4. Essas chamadas à disponibilidade (32, 4.7.10) são evidentemente um bom convite a recordar e a orar o poema “Vossa sou, para Vós nasci”; aproveita e fá-lo 1 . Por outro lado, já se tratou anteriormente (cap. 10-18; cap. 26: cf. Ficha, pergunta 5) desta virtude e atitude (dispo-nibilidade, humildade), de modo que aparece como o ponto de partida necessário no caminho da oração; mas também como o fruto principal da contemplação perfeita (32, 9ss): -reparaste nisso? Que te parece essa “omnipresença” do tema: ponto de partida, critério de discernimento, fruto final?…
5. A insistência da Santa em todo o anterior 2 não é incompatível com a luta por eliminar tantas cruzes injustas; daí que classificasse de terrível o encarceramento de S. João da Cruz 3 , ao mesmo tempo que se esforçava denodadamente por libertá-lo. Este ‘princípio’ é hoje aplicável a outras circunstâncias, a moral social incluída (cf. Ficha Caminho 1-3,pergunta 11, por exemplo). Reflecte, revê…
6. Na realidade, não é pouco o que o Senhor quer que demos a seu Pai (cf. 32,1), mas é muito mais o que se ganha: “ a fim de nos dispormos para, com muita brevidade, nos vermos com o caminho acabado de andar, e bebendo da água viva da fonte que fica dita” (32, 9) 4 ; experiência que descreve brevemente um pouco mais adiante (32, 12). – Conheceste algo pareci-do? Recorda, ora…
7. Esta “escalada” até à união (cf. nota 4) parece que não exclui que as experiências mais profun-das se dêem a par de grandes sofrimentos (cf. relação ou conta de consciência sobre o valor dos mesmos: Ávila 1572) ou mesmo que aquelas os precedam, sejam uma preparação para estes 5 . – Que te parece? – Tens experiência?…
8. O capítulo termina insistindo no que se pode fazer ou não, ao chegar à contemplação perfeita (32, 13-14): revê, ora…
Aviso: pode servir de interiorização e recompilação fazer uma oração comunitária inspi-rada nos capítulos 19-32 (cf. www.paravosnasci.com: Recursos, Oração partilhada).
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1 Evidentemente, a vontade do Senhor nem sempre exigirá tender para o mais incómodo; talvez exija, em certas ocasiões, renunciar a ideais heróicos para assumir outro tipo de tarefas… “Pedis-me que suplique a Nosso Senhor que afaste de vós a cruz de ser nomeado director dum seminário, ou mesmo de regressar a França. Compreendo que esta perspectiva não seja do vosso agrado; peço a Jesus com toda a alma que Se digne deixar-vos cumprir o laborioso apostolado tal como a vossa alma sempre sonhou. No entanto, acrescento convosco: ‘seja feita a vontade de Deus’. Só nela se encontra o descanso, e fora dessa amável vontade não faríamos nada, nem para Jesus nem para las almas” (Santa Teresinha, carta de 1/XI/1896).
2 “Pois vedes aqui, filhas, o que deu Aquele a quem mais amava [seu Filho]; por onde se entende qual é a Sua vontade (…) Tenho para mim que a medida de se poder levar cruz grande ou peque-na, é a do amor” (32,7).
3 “De frei João tenho grande pena, não levem alguma culpa mais contra ele. Deus trata terri-velmente os seus amigos; na verdade não lhes faz agravo, pois assim fez com seu Filho”: carta a J. Gracián 10-11/III/1578.
4 A escalada das três petições foi levando a atenção de Teresa desde a oração vocal (invoca-ção “Pai”), ao recolhimento (interiorização dessa invocação) e à entrada na quietude contemplativa (“venha o vosso reino”). Por fim, essa escalada chega ao cume: fazer o dom de si mesmo, dizendo “faça-se a vossa vontade”, é abrir-se ao dom de la contemplação perfeita, quer dizer, ao Seu pleno dom, em amizade consumada. E, ao mesmo tempo, iniciar a contemplação perfeita é chegar à “fonte de água viva”, anunciada e desejada desde capítulos anteriores (cap. 19). Chegar à fonte é entrar na misteriosa experiência da “união”: T. ÁLVAREZ, Paso a paso. Leyendo a Teresa con su Camino de Perfección, p. 217.
5 “Pouco tempo antes de começar a minha prova contra a fé, dizia para comigo: ‘não tenho grandes provações exteriores, e para as ter interiores seria preciso que Deus mudasse o meu caminho. Não creio que o faça. Contudo, não posso viver sempre assim, no sossego… Que meio encontrará Jesus para me provar’? A resposta não se fez esperar…” (Santa Teresinha: Manuscrito C 31r).
Video
Ficheiro
2011-02-26
