Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Introdução
Teresa é, no momento em que escreve o Caminho de Perfeição, prioresa de S. José. São doze Irmãs na Comunidade. Com Teresa, 13. Teresa encontra-se nas VI Moradas, em plena efervescência mística. Tinha entregado o relato da Vida.
O êxito do Livro da Vida e a presença das monjas de S. José levaram à génese do Caminho.
O Livro da Vida não tinha sido escrito para elas. Mas era pena privá-las do bem do livro e, então, recolhe quanto era proveito para as suas almas, de modo a servir-lhes de guia de formação. Diz receber licença do P. Bañez para escrever estes avisos.
Foram as monjas que insistiram, que pediram, que a importunaram e ela obedeceu-lhes, por três motivos:
- tem amor e desejo de ajudar as suas Irmãs
- experiência do que vai escrever
- conta com o amor das suas Irmãs.
Esta amorosa receptividade do grupo vai fazer que a palavra e experiência da Madre, encontre espaço nelas e seja luz para elas.
O Caminho surge como necessidade das filhas de comungar o espírito da Madre e da necessidade desta de transvazar a rica corrente da sua vida para as suas filhas. É um Livro do grupo. Surgiu da Comunidade para a Comunidade. É fruto dos diálogos, conversações, avisos, conselhos.
No Livro há grande simplicidade e espontaneidade, escreve quase como fala oralmente.
Data de composição:
Teresa escreveu duas vezes esta obra. O autógrafo da primeira redacção, mais espontânea e coloquial, mais informal e menos estruturada, conserva-se no Real Mosteiro de El Escorial (Madrid); a segunda redacção, que perdeu em frescura, mas ganhou em clareza doutrinal (pelo menos é o que se costuma dizer), conserva-se no convento das madres carmelitas descalças de Valladolid. Os 73 capítulos da primeira redacção ficaram reduzidos a 42 na segunda.
Há alguns anos o P. Tomás Álvarez propôs 1566 como a data mais provável da sua composição, apoiando-se em dados de crítica interna do mesmo livro. Tudo leva a pensar, pela continuidade das duas redacções da obra, que terá sido redigida dentro do mesmo ano de 1566: em Janeiro ou Fevereiro, a primeira redacção; pelo Verão ou princípios de Outono, a segunda. O censor terá sido o P. Garcia de Toledo, dominicano, tanto na primeira como na segunda redacção e também um segundo censor de menor importância.
Conteúdo:
As monjas pedem a Teresa que lhes fale de oração e contemplação. A oração será o tema e eixo do Livro, orientando-a para a oração mental nas suas formas de recolhimento e quietude.
Mas para Teresa falar de oração é o mesmo que falar do “modo de viver que se leva nesta casa”. É tratar a vida, o longo que caminho que se há-de percorrer para chegar “à fonte de água viva”. Desta forma o livro transforma-se num livro de formação do orante.
Qual é o seu Conteúdo, então?
- Ensinar a rezar é ensinar a ser livres, isto é, pessoas que optam simplesmente pela amizade com Deus. Tudo o que atente contra esta liberdade é fechar o caminho da oração. E tudo o que alimente e consolide esta liberdade abrirá a uma oração autêntica e renovadora.
E como se é livre?
- Dando-se. Diz a Santa Madre: “Tudo o que vai escrito neste livro vai dirigido a este ponto de dar-nos de todo ao Criador”. Empenha a pessoa para se dar de todo ao Criador, numa opção totalitária e plena para com Deus, comportando, ao mesmo tempo, uma rotura, na mesma amplitude, com tudo o que a bloqueie e impeça.
Estrutura do Livro:
1ª Parte: Grande empresa do Carmelo (1-3)
Teresa começa apresentando a “empresa” do movimento espiritual que cristalizou na fundação de S. José. Apresenta o valor eclesial da oração. A Igreja, particularmente nas suas “cabeças”, os sacerdotes, é a destinatária da vida desse punhado de mulheres “todas ocupadas em oração”. Apresenta-se o ideal da reforma teresiana com uma grande e bela profundidade, põe-se em evidência a vocação apostólica do Carmelo, sem esquecer o idela contemplativo do Carmelo: oferecer a Deus um coração puro e cheio de amor, para se dispôs a obter d’Ele o dom da contemplação. Teresa apresenta às suas filhas o ideal contemplativo do Carmelo, mas com vista à sua vocação apostólica, e isto é algo novo que nunca antes tinha sido assim apresentado com tal vigor.
2ª Parte: Pressupostos da oração ou “virtudes grandes” (4-25)
Depois de apresentado o objectivo, Teresa pergunta, como havemos de ser? “Orantes”. Mas não se pode ser orante sem algumas coisas muito necessárias: as virtudes grandes, isto é, amor, desapego e humildade. São os pressupostos da oração, fundamentos da oração.
Teresa insiste no empenho espiritual para chegar à contemplação, mas diz que sempre se deve caminhar na humildade. Cada uma há-de ir contente por onde o Senhor a levar. Ou seja, a vida do homem não se discerne pela “forma” de oração, mas pelas “virtudes”, pela vida.
E aconselha vivamente a não deixar o caminho da oração, mas a lutar, isto é, ter “determinada determinação”, que podemos também incluir dentro dos pressupostos da oração.
3ª Parte: Oração: natureza e desenvolvimento, exigências (26-35)
Inicia o comentário às petições do Pai Nosso, estabelecendo os vários graus da oração.
Teresa propõe o seu modo de oração: oração de recolhimento”. Centramo-nos na Pessoa que vive dentro de nós. Olhar para Ele que está dentro.
Dá meios para praticar isto, sendo o momento privilegiado deste exercício a comunhão eucarística. Assinala ainda as excelências deste método de olhar para Cristo dentro de nós.
Depois, nos cap. 30-34 aborda a oração mística: oração de quietude e de união. Para ela a oração de quietude é o reino que Deus nos dá e com esta oração o Senhor capacita-nos para fazer a sua vontade e para nos doarmos plenamente a Ele.
4ª Parte: Efeitos da contemplação (36-42)
A graça da contemplação frutifica em grandes e múltiplos efeitos. A contemplação renova a vida:
* capacidade de perdoar as ofensas recebidas
* vontade de participar na cruz de Cristo
* o amor fortalece a vontade para cumprir a vontade de Deus
* o temor confiado que nos torna precavidas
* o desejo de sermos libertados desta “vida” que se apresenta como obstáculo para gozar plenamente o que aqui se lhe dá a sorvos.
Conclui com uma palavra sobre a excelência do Pai Nosso.
Video
Ficheiro
2011-09-22
