Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Capítulo I
O título do Capítulo não indica o seu conteúdo, mas apenas “o motivo que levou a fundar este mosteiro com tanto rigor de vida”, isto é, um grande e forte desejo de salvar almas. Foi o ideal apostólico que impeliu S. Teresa a dar à sua Ordem o carácter de austeridade que hoje encontramos na organização da vida monástica e na legislação do Carmelo.
Quando Teresa pensou fundar o primeiro convento, era apenas para viver sossegada e retirada, num pequeno cantinho, o ideal primitivo contemplativo do Carmelo. Mas eis que surge um novo facto que veio despertar nela o ardor apostólico: as notícias chegadas da França e da Europa: guerras, mortes, incêndios, profanações, “desfeitas as Igrejas, perdidos tantos sacerdotes, tirados os sacramentos”. Foi isto que a impeliu a dar à nova família por ela fundada um impulso apostólico notável e uma nota de pobreza e austeridade na forma de vida.
Resolução: resolveu então fazer o pouco que estava em sua mão: observar os conselhos evangélicos com toda a perfeição possível e procurar que fizessem o mesmo, aquelas que viviam com ela, ou seja, fidelidade ao compromisso vocacional. Compreendeu que confiando no Senhor que nunca deixa de ajudar a quem tudo renuncia por seu amor e dando-lhe prazer em tudo, assim teriam força as suas orações: “Rezando pelos defensores da Igreja, pelos pregadores e pelos doutores que a governam, teremos feito quanto de nós depende para auxiliar este meu doce Senhor, tão indignamente perseguido por aqueles a quem tem dado tantos benefícios” (C 1,2).
Para as Irmãs este fazer é sobretudo ser: ser tais que a sua vida valha para a Igreja, até se converterem em diques de contenção face aos males da Igreja e juntas fazendo força pelos defensores e pregadores da Igreja.
Os instrumentos de apostolado carmelitano serão então a oração e a penitência, valorizados pelo amor que a pessoa leva a Deus.
S. Teresa deseja obter altíssimas graças para todos aqueles que devem ser os defensores da Igreja, isto é, a hierarquia. Mas porque a hierarquia existe para as pessoas e as pessoas formam a Igreja, ela deseja orar pela conversão dos pecadores e a salvação de todos. Diz ela: “Minhas irmãs em Cristo, uni-vos a mim para pedirmos a Deus esta graça: Foi para isso que Ele aqui vos acolheu: esta é a vossa vocação, estes os vossos deveres e os vosso anseios, este o motivo das vossas lágrimas e das vossas orações”. “Estando encerradas lutamos por Ele”.
A intenção primordial é salvar almas. Também atenderão a outras intenções, mas esta é a principal. S. Teresa chega a rir-se e até afligir-se das intenções temporais que pedem algumas pessoas: para que Deus conceda rendas, dinheiros, etc.: “Certamente a intenção é boa e a piedade que mostram deve levar a atendê-las. No entanto, eu estou persuadida que em coisas destas o Senhor não me ouve nunca”.
S. Teresa vive a verdade do Corpo místico de Cristo, vive no mais profundo aquilo que diz. “O mundo está em chamas: os ímpios desejam, por assim dizer, condenar de novo a Jesus Cristo”.O que Teresa pretende é, que no momento em que alastrava o protestantismo, o materialismo e o ateísmo organizado, ser verdadeira amiga de Cristo e que suas irmãs o fossem também para assim conquistar um grande poder sobre o coração de Deus. Era clara a urgência deste apostolado. Unirem-se todas a viver o Evangelho, pois “está a arder o mundo”, não se desentendendo umas com as outras, nem se perdendo no secundário e supérfluo: “Não, minhas irmãs, não é tempo de tratar com Deus negócios de pouca importância”.
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Ficheiro
2011-09-22
