Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Capítulo II
Neste capítulo S. Teresa faz o elogio da pobreza e esta pobreza encontrou-a na pessoa de Jesus pobre e na certeza que as Suas palavras não podem faltar. Por isso aquilo que ela diz da pobreza é experiencial. Teresa fala do que sabe por experiência.
Uma vez que às Irmãs só interessa Cristo e o desejo de contentá-lo, como consequência, serão pobres. Tendo a Cristo e a sua Igreja como único centro de interesse, não andarão a contentar-se com o supérfluo, nem preocupadas em contentar a ninguém. As Irmãs devem preocupar-se apenas por ajudar os outros com a sua oração – este é o seu apostolado em favor dos outros – e o Senhor lhes enviará o necessário à vida.
A pobreza é um descuido de tudo, porque todo o cuidado se centrou na Pessoa, em Cristo, no Esposo. Fica apenas: “Pôr os olhos em Cristo. No portal de Belém onde nasceu, e na cruz onde morreu. Casas eram estas em que se podia ter pouca recreação” e desejo de contentá-l’O só a Ele.
E esta pobreza é a pobreza de Cristo: “imitar sua Majestade”. A pobreza é uma opção pela Pessoa de Cristo e, por isso, é liberdade, gozo e “senhorio”, porque “não se lhe dá nada dos bens do mundo”. Só quando a pessoa está convencida que em Deus está toda a sua riqueza e que Ele cuida dela, é capaz de renunciar a todas as seguranças e garantias. Esperar tudo do Senhor é perder o cuidado de nós e deixá-l’O cuidar e prover a nossa vida. Consequentemente, a pobreza assim vivida, acaba por tomar o coração, tornando-se pobreza de espírito.
E a partir desta pobreza de espírito nasce a pobreza real abarcando o mais exterior até ao mais interior: “em casa, nos vestidos, em palavras, e muito mais no pensamento”. Isto leva a que a vida do verdadeiro pobre seja uma vida discreta, sem ruído nem alardes: “Os verdadeiros pobres não hão-de fazer ruído”.
A pobreza assim vivida como desapego de tudo, uma vez que se optou viver pela Pessoa de Jesus, é um “muro” de defesa e protecção da vida consagrada.
Poderíamos resumir em três pontos em que consiste a pobreza tal como a quer S. Teresa nos seus conventos:
- Olhos em Cristo Esposo pobre
- Os verdadeiros pobres são-no de verdade e aceitam sê-lo
- Ser pobres por dentro, pobres no interior (não andar solícitos pelas coisas das terra, mas fazer total confiança e fé nas palavras do Senhor)
Só assim se torna possível o serviço espiritual das Irmãs à Igreja tão afectada por grandes males: viver a humilhação material, por uma pobreza radical pregada por Jesus no Evangelho e vivida por modelos bem precisos: Jesus antes de tudo, os monges do Monte Carmelo, Santa Clara e a própria S. Teresa.
Este tema da pobreza será mais aprofundado e interiorizado quando a Santa Madre fale do “desapego de todo o criado”.
Video
Ficheiro
2011-09-22
