Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Capítulo V
Neste capítulo aparecem duas ideias programáticas:
- A liberdade de consciência (“esta santa liberdade”; dirá ela) e o direito a manter contacto com os mestres.
- Liberdade e cultura: dois valores que ela exige ao seu grupo, como pré-requisito essencial para entrar no amor puro e que vai desenvolver nos cap. 6-7
S. Teresa está como que obcecada pela ideia da cultura espiritual. Não aceita que a clausura seja um reduto de ignorância feminina, ao estilo da época. Além de valorizar imenso os livros e que ela deseja tê-los em grande abundância em casa, deseja a inter-relação com os mestres. Já no livro da Vida tinha enunciado isto e vai repeti-lo neste capítulo: “São grande coisa as letras para dar em tudo luz”. No vocabulário de S. Teresa “letras” indica o saber sólido e bem fundamentado dos homens de estudo: os “letrados”. Especialmente, teólogos e biblistas, profissionais da cultura espiritual teresiana. È necessário que as suas monjas tenham um grande desejo de saber; é necessário que a Madre e todas as Irmãs, comuniquem com as pessoas que tenham letras” (C 5, 2).
Sabe bem que isto custará dinheiro e que o Carmelo de S. José é muito pobre, mas ela não se preocupa com isto, pois sabe que se as Irmãs forem o que devem ser, o Senhor não faltará com as ajudas e pessoas necessárias.
Neste cap. 5 vai insistir sobretudo nos mestres. O grande teólogo Fr. Domingos Bañez vem com frequência ao locutório de S. José ter a sua prática. S. Teresa não quer um remanso de cómoda ignorância, por mais que os doutos da época assim o quisessem para as mulheres. Ela quer livrar as Irmãs do escolho dos meio letrados, charlatães e “espantadiços”. Ela defende que “quanto maior mercê o Senhor vos fizer na oração, mais é necessário irem bem fundadas nas suas obras e oração” (C 5, 2). E recomenda muito isto à Prioresa.
Esta liberdade para quê?
No tempo da Santa Madre os confessores da Comunidade eram impostos e S. Teresa quer quebrar esta imposição. Então ela propõe no seu convento de S. José:
- Que caiam essas barreiras impostas à consciência das religiosas que vivem em clausura
- Que, sendo possível, o horizonte da direcção espiritual comunitária e pessoal, fique aberto a verdadeiros mestres de teologia e espírito.
- Se porventura lhe põem preceito para que não se confessem com outro, então tratem, sem confissão, com outras pessoas de espírito e letras (C 5, 4 na 1ª redacção)
- Que não se permita a ninguém interferir na vida da casa, com poder para controlar quem entra, quem vem, quem sai, etc. Isso é assunto da Comunidade. Durante todo o livro e ao longo de toda a sua vida, S. Teresa lutou por esta liberdade e rezou e fez rezar muito as suas Irmãs para que os próprios prelados compreendessem o grande bem desta liberdade.
Infelizmente, depois da sua morte, não foi assim. Apareceu quem lutasse contra esta “santa liberdade” a favor do “aperto” de alma e corpo. E esta liberdade por que tanto lutou S. Teresa foi perdendo terreno dentro do próprio Carmelo de S. Teresa.
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Ficheiro
2011-09-22
