Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Capítulo VII
Teresa vai dizer como viver, na prática, este amor puro.
Este é um tema perigoso, para uma mulher em pleno século XVI. Teresa convida a procurar amigos de alta qualidade: “dir-vos-ão que não é preciso. Que basta ter a Deus. Bom meio para ter adeus, tratar com os seus amigos. E, mesmo que ao princípio haja imperfeição, que nunca haja, por isso, vazio de amor; tudo há-de orientar-se para o amor perfeito, (amor puro).
Programa do amor para as doze leitoras
Ficaria decepcionado quem procurasse nestas páginas um programa de amor angelical, espiritualóide ou desencarnado. Da pena de Teresa transpira calor humano, sensibilidade e realismo e vejamos as suas características:
- Amar: que não falte amor, isto é, que não seja um amor seco; nem falte a aspiração ao amor puro, esse que é apaixonado que não deixa comer nem dormir, ainda que vá com imperfeições,
- Modelos bem escolhidos: Cristo e santa Mónica.
- Amar é sofrer e gozar com o amigo (“alegrar-se” e “apiedar-se”) e não se espantar das suas faltas, procurando fazer virtude contrária à falta que se lhe vir praticar.
- Amor traduz-se em obras, é feito de lágrimas, penitências, orações, desejos e contentamento, é cuidadoso e temeroso, sem pouco nem muito de interesse próprio, desejoso de ver rico de virtudes e bens espirituais o amigo, é cheio de ternura, capaz de condoer-se, folgar, tirar o trabalho e tomá-lo sobre si, “sentir muito”.
- É um amor leal, isto é, não oculta ao outro as verdades dolorosas, mas necessárias. É amor sem duplicidade, nem dissimulações ou mentiras. Amor e verdade vão juntos. Amor capaz d durar para sempre.
- É amor que tem que ter “ternura na vontade”, “capacidade de enternecer-se” com as Irmãs e com Deus; tem que ser cordial.
Conclui dizendo que todas estas coisas ajudam muito à paz e conformidade umas com as outras. Quando um amor quebra a unidade, é um grande mal e então diz S. Teresa: “mais queria eu que eu que entrasse neste mosteiro um fogo que nos abrase a todas”.
Segundo S. Teresa este espectro de amores negros que podem prejudicar a comunidade provém de duas degradações da amizade:
- A nível pessoal, o sentimentalismo – Teresa sabe que o caminho do amor é um caminho longo e não se atinge a maturidade, senão depois de muito caminho percorrido. Ela sabe que nos princípios a maneira de amar é imperfeita, mas o que ela quer excluir é a confusão entre amor e sentimento ou reduzi-lo ao jogo das ternuras e palavras regaladas. Ela deseja para as suas irmãs um amor forte, vertebrado de vigor, varonil como o de Jesus e, ao mesmo tempo, feminino como o de S. Mónica.
- A nível comunitário, a amizade em grupinhos – Para Teresa este escolho ainda é pior: “grupinhos, pontinhos de honra, desejo de ser mais”, “uma palavrinha que se atravessa pela frente”. Este amor é sectário, tem ânsias de poder, de domínio e monopólio do amor. A S. Madre sabe que este amor cultivado num grupo fechado e pequeno se converte em fonte de divisões, ao ponto de dizer se isto acontecer,” dêem-se por perdidas”, como se um Judas estivesse na comunidade. Solução: ou deitar Judas fora de grupo ou um “fogo que nos abrase a todas”.
Tudo o que ela aqui descreve e aconselha é fruto da sua experiência viva e positiva da amizade humana e da sua experiência pessoal, desde que chegou ao amor puro e maduro. E, agora, esta experiência converte-a em programa de vida para as suas Irmãs e para todos nós, hoje.
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Ficheiro
2011-09-22
