Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Capítulo XXV
Neste capítulo S. Teresa vai dizer como rezando bem a oração vocal, se pode ser elevado a contemplação. Explica assim o grande potencial da oração vocal, quando esta se faz bem (a forma como se deve fazer a oração vocal já referimos noutros capítulos).
Para S. Teresa há que deixar bem claro a diferença entre os tipos de oração:
- Uma coisa é orar rezando, outra é “oração mental”, e outra muito diferente é “contemplação perfeita”.
- No entanto fique bem claro que não há oração rezada só com palavras, porque “palavras” sem interioridade… “Olhai que má música fará” (C 25, 3), ainda que sejam as palavras da oração ensinada pelo próprio Jesus.
- Que “oração mental” é, antes de tudo, “entender o que dizemos, e com quem falamos, e quem somos os que ousamos falar… e o pouco que O servimos, e o muito que estamos obrigados a servir… “ (C 25, 3).
- E que contemplação perfeita é algo que está para além de tudo isto, para além do pensado e decidido por nós, para além de palavras, pensamentos e desejos “produzidos” pelo nosso esforço. Contemplação é oração por iniciativa de Deus no orante. É “dom do Senhor”, que não se pode merecer. Já não se trata de um conhecimento conceitual (ideias distintas que provêm dos sentidos), mas experimental (“as potências vibram de gozo, mas sem saber como”; é a vontade que faz a experiência e, por isso, é sem conceitos). Nesta oração as potências devem conservar-se inactivas, porque opera o próprio Senhor. O intelecto discursivo não entra aqui. A pessoa sente que está unida ao Senhor, mas não o pode exprimir, porque não pode formar conceitos, ideias. A pessoa apercebe-se que o seu intelecto não teria nunca podido desejar um tão grande bem, a vontade abraça-o, mas não sabe de que modo. Depois destes momentos, recordando o que aconteceu, o intelecto fica convencido de ter saboreado o próprio Deus.
Estes tipos de oração são três anéis de uma cadeia, estreitamente ligados entre si.
Podemos dizer que a pedagogia da oração em S. Teresa se apresenta assim:
- No Caminho, para noviças e aprendizes falaria, sobretudo, de oração vocal, oração mental e recolhimento.
- Enquanto para a contemplação perfeita ela remete discretamente para o seu Livro da Vida.
- Podemos dizer que Caminho e Vida formam um díptico completo na sua pedagogia da oração. Há que lê-los em ordem inversa à ordem cronológica de composição.
- Podemos ainda afirmar que um díptico perfeito é o Caminho e Moradas. O aprendiz de oração, na escola de Teresa, começará a aprender a orar, nas páginas do Caminho, e culminará a sua aprendizagem, sendo convocado a contemplar, nas quartas, quintas, sextas e sétimas moradas do Castelo Interior.
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Ficheiro
2011-09-22
