Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Capítulo XXVII
No capítulo 27, trata S. Teresa do primeiro grau de oração - que é a meditação – mas fala dele a partir do caso concreto de uma pessoa que não consegue ordenar pensamentos, como a meditação clássica, e que deve, pelo contrário, servir-se da recitação duma prece vocal. Dentro deste caso particular, a Santa ensina a fazer a meditação, uma meditação sui generis e que será sempre a meditação de uma pessoa que começa a dedicar-se à oração.
Suponhamos que uma pessoa cuidou da preparação, isto é, colocou-se na presença de Deus, na presença de Jesus. Enquanto uma pessoa que pretendesse meditar iniciaria as suas reflexões recordando o assunto da meditação para depois aprofundar o mistério e tirar ensinamentos práticos, no caso previsto por S. Teresa, esta pessoa, não sabe meditar. Então ela propõe-lhe começar com a recitação de uma prece vocal, o Pai-Nosso, dizendo: “Pai nosso que estais no Céu”. Mas como já dissemos que a Santa quer que unamos a oração vocal à mental (porque de outra forma não haverá oração), ensinando-nos a reflectir sobre a Pessoa a quem falamos, sobre quem somos, e sobre o sentido das palavras que dizemos, estas primeiras palavras do Pai-Nosso abrirão o caminho a um diálogo com o Senhor: com o Pai primeiro que tudo e, depois, com Jesus.
S. Teresa, neste capítulo ensina-nos a meditar, orando. E esta meditação que S. Teresa aqui ensina compõe-se de duas partes:
1- Colóquio muito afectuoso com o Senhor, alimentado com o pensamento do amor de Deus por nós e com o desejo de O amar cada vez mais.
2- Aplicações práticas para a nossa vida.
1- Colóquio afectuoso com o Senhor
S. Teresa ao começar com as palavras do Pai Nosso, imediatamente se transporta para o Pai e fala com Ele. Toma consciência com quem está a falar, considerando que Deus é Pai, que nos ama e quer só o nosso bem. E depois fala com Jesus, tomando consciência da Sua bondade.
Assim como se pode meditar na Paixão para nos movermos a amá-Lo, assim também aqui a recitação do Pai Nosso serve de ponto de partida à reflexão. É um modo diferente, mas é o mesmo trabalho intelectual: compreender que Deus nos ama e para da nossa parte nos movermos a amá-Lo.
Para S. Teresa a substância da oração está verdadeiramente nesta conversa amorosa com o Senhor, como ela reza neste capítulo: “Vede, Senhor meu, visto que, com o amor que nos tendes e com a Vossa humildade, nada se Vos põe diante, enfim, Senhor, estais na terra e revestido dela, tendes a nossa natureza, tendes assim algum motivo, parece, para olhar ao nosso proveito; vede que o Vosso Pai está no Céu, Vós o dizeis: razão é, pois, que olheis por Sua honra… Com que clareza mostrastes ser uma mesma coisa com Ele e que a Vossa vontade é a Sua, e a d’Ele a Vossa! Que confissão tão clara, Senhor meu! Que amor é esse que nos tendes!” (C 27).
2- Aplicações práticas
Toda a boa meditação deve ter um aspecto concreto. Devem fazer-se propósitos e determinar-se a pô-los em prática, uma vez que a oração deve estar encaminhada a produzir frutos na vida. Ao constatarmos o amor que Deus nos tem durante a meditação, o mais normal é que nos determinemos a responder-lhe com amor na nossa vida concreta. Nesse caso alguns propósitos nascidos da oração, seriam: determinar-se a cuidar aspectos práticos como as relações, a delicadeza, a disponibilidade, o esquecimento próprio, a aceitação das contrariedades, etc.
É fácil compreendermos como a meditação está ao alcance de todos e, neste caso, o que S. Teresa propõe é que façamos a meditação, recitando o Pai Nosso, pensando no sentido das palavras. A nossa vontade sairá mais robustecida no bem e, por outro lado, também nos concentraremos melhor ao longo do dia, sendo mais fácil assim a presença de Deus.
Video
Ficheiro
2011-09-22
