Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Capítulo XXXIII
S. Teresa vai estender-se por três capítulos para comentar a petição do Pai Nosso: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Para ela, este pão quotidiano é a Eucaristia.
A distribuição dos destes 3 capítulos aparece assim:
- Capítulo 33: a modo de prelúdio, introduz o leitor no mistério da Eucaristia
- Capítulo 34: (o mais importante deste tríptico) fala ao leitor da comunhão sacramental, como há-de ser a sua oração eucarística, como deverá interiorizá-la e enriquecê-la.
- Capítulo 35: Fala da comunhão espiritual, desenvolvendo o sentido eclesial da oração eucarística.
Neste capítulo 33 ela vai centrar a atenção do como e do porquê dizer ao Pai que necessitamos o pão eucarístico, que o necessitamos para cada dia, que o necessitamos para hoje.
Que nos ensina S. Teresa neste capítulo?
1- Que sem a Eucaristia nos seria impossível fazer a vontade do Pai, isto é, ficaria frustrada a petição central do Pai-Nosso “Faça-se a Vossa vontade”.
2- É o Pai que nos dá o Pão da Eucaristia e nela nos dá o Seu Filho para que prolongue a sua presença entre nós até ao fim do mundo e para que seja pão da nossa alma, que alimente a nossa vontade para fazer-se uma com a do Pai.
3- Que nesta petição, Jesus se associa a nós para pedir ao Pai o dom do pão eucarístico.
No primeiro ponto, a partir de exemplos práticos, mostra como é fácil dizer superficialmente “faça-se a Tua vontade”, e o difícil que é realizar, de facto, o dom total de si mesmo. Não é só difícil: é impossível sem a Eucaristia.
No segundo ponto, consciente ou inconscientemente, S. Teresa evoca Jo 6: “Não foi Moisés quem vos deu o Pão do Céu. É Meu Pai quem vos dá o verdadeiro Pão do Céu”. A Eucaristia é dom do Pai e torna-se também, para nós, manifestação do grande amor do Pai por nós.
No terceiro ponto S. Teresa mostra como Jesus se solidariza connosco de uma maneira especial quando pedimos o Pão. Foi Ele que procurou este meio admirável onde nos mostrou o extremo de amor que nos tem. Pediu-o ao Pai “em seu nome e dos seus irmãos”. Penetrando no mistério da interioridade de Jesus e dos Seus sentimentos íntimos, ela convida as suas Irmãs: “Que isto vos enterneça o coração, filhas minhas, para amar o Vosso Esposo” (C 33, 4); Caindo na conta do grande amor de Jesus por nós, mais coragem e determinação teremos para Lhe fazermos o dom da nossa vontade.
Na segunda parte deste capítulo a sua exposição doutrinal converte-se numa exclamação (nn. 3, 4, 5). S. Teresa prorrompe em exclamações, como que perde a razão, invadida pelo amor louco que estava no coração de Cristo ao instituir a Eucaristia. Esta desmedida do amor de Cristo já outras vezes tinha impressionado fortemente a alma de S. Teresa, como agora acontece: “Ó Senhor eterno! Como aceitais tal petição? Como o consentis?” “Porque há-de ser todo o nosso bem à sua custa?”, etc.
A Eucaristia é a expressão permanente da “submissão” amorosa de Jesus ao Pai e mostra-nos como seja esta a vontade do Pai e nos anima e capacita para a vivermos nós.
Video
Ficheiro
2011-09-22
