Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Capítulo XXXV
Neste capítulo mostra S. Teresa a preocupação de não desligar a oração e a Eucaristia da vida. Ela deseja para as suas filhas a oração contínua e prolongar a Eucaristia na vida: “quando não comungardes e ouvirdes missa, podeis comungar espiritualmente: é de grandíssimo proveito” (C 35, 1).
Também a comunhão espiritual – de amor e desejo – inicia um processo de recolhimento: “Fazei depois o mesmo de vos recolherdes em vós, que assim se imprime muito o amor deste Senhor. Porque, quando nos preparamos para receber, jamais deixa de dar, por muitas maneiras que não entendemos” (C 35, 1). Isto é a interiorização da Eucaristia, tal como se interiorizava a oração, na oração de recolhimento.
S. Teresa diz que estes conselhos Sá terão frutos na vida, se houver constância da nossa vontade e, pô-los em prática. “Nada se aprende sem trabalho”, tinha dito ela do recolhimento. Vai repeti-lo agora ao sugerir a interiorização da Eucaristia: “Não deixeis este modo; aqui provará o Senhor quanto Lhe quereis” (C 35, 2).
S. Teresa com estas práticas que propõe, quer que nem a oração nem a piedade eucarística se reduzam a momentos esporádicos, mas que impregnem toda a vida e a vão modelando; que nos eduquem a “acompanhar e seguir Cristo nos trabalhos” e “a querermos estar com Ele” (C 35, 2).
Comungar espiritualmente tem só como diferença em relação à comunhão sacramental, não receber o sacramento, mas quanto ao resto deve ser exactamente a mesma coisa. É um grande acto de desejo, com o qual chamamos Jesus ao nosso coração e vamos ao Seu encontro.
Quando comungamos Jesus na Eucaristia recebemos a sua Humanidade e Ele dá-nos ainda, conforme a nossa fé e amor, um aumento da graça e da caridade em nós que produz uma união com Jesus mais íntima. Este fruto do aumento da graça e amor é-nos igualmente dado quando fazemos a comunhão espiritual. Esta pode fazer-se através de um simples acto de desejo, num momento, com um simples grito da alma; e pode fazer-se mais demoradamente, por meio de uma fórmula, explícita, com preparação e acção de graças.
S. Teresa recomenda muito esta prática às suas filhas e observa: “Olhai pois, irmãs, se ao princípio não vos achardes bem (e poderá ser, porque o demónio, sabendo o grande dano que daqui lhe advém, vos fará sentir aperto de coração e tristeza), dar-vos-á a entender que achais mais devoção em outras coisas e aqui menos, crede-me: não deixeis este modo; aqui provará o Senhor quanto Lhe quereis” (C 35, 2).
Oração eucarística de Teresa e suas Irmãs
Na segunda parte do capítulo ou seja, nos números 3, 4 e 5, Teresa convoca o grupo das suas Irmãs (que se tornam como que sacerdotisas em virtude do sacerdócio real recebido no baptismo), a orarem ardentemente ao Pai Eterno, suplicando-Lhe, por Jesus, e oferecendo-O ao Pai, pela Igreja nas suas grandes provações do momento, evocando os capítulos 1 e 3 do Caminho, em que descrevia também as mesmas grandes lutas e humilhações da Igreja. S. Teresa tem o grande desejo de ver Jesus adorado no Seu sacramento e, por isso, suplica às suas Irmãs que orem com Ela ao Pai por esta intenção.
A Eucaristia é assim o grande dom do Pai que “para que em sacrifício o podamos oferecer muitas vezes”. “Que seria de nós e do mundo, em não ter cá tal prenda!”, exclamava S. Teresa.
Toda a nossa oração eucarística se concentra na oferta deste “Pão sacratíssimo”: “Vós no-lo destes, tornámos-vos a dá-lo. Não por nós, mas fazei-o por Vosso Filho”. Por Ele, “pelos méritos do Vosso Filho…, fazei que já, Senhor, já se sossegue este mar”.
Video
Ficheiro
2011-09-22
