Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Capítulo XXXVII
S. Teresa interrompe o comentário às petições do Pai Nosso para fazer o elogio, espontâneo e sentido, da oração dominical. São sentimentos de gratidão, admiração e apreço profundos: “Espanta-me ver… em tão poucas palavras… toda a contemplação e perfeição” (C 37, 1).
S. Teresa vai recordar aqui as primeiras palavras do Pai Nosso que lhe serviram para explanar todos os graus de oração, desde a meditação em sentido lato até à oração de recolhimento, de quietude, e finalmente oração de união, a fonte de água viva: “Até aqui nos tem ensinado o Senhor todo o modo de oração e de alta contemplação, desde os principiantes na oração mental, até à de quietude e união, que a ser eu pessoa para o saber dizer, poderia escrever um grande livro de oração sobre tão verdadeiro fundamento” (C 37, 1).
Foi comentando o Pai Nosso até à petição “venha o Vosso reino”, reino entendido pela Santa como uma realidade experimentada que começa a estabelecer-se na alma com a oração de quietude e se aperfeiçoa depois na oração de união.
As outras petições serviram-lhe para explicar os efeitos da oração: “Agora já começa o Senhor a dar-nos a entender os efeitos que deixa, quando são Suas as mercês, como tendes visto” (C 37, 1). Sendo autêntica, a oração não poderá deixar de produzir tais efeitos.
S. Teresa falou até agora dos vários graus de oração e das virtudes. Entre estas duas partes há uma relação de causa-efeito. O efeito da oração é o amor: se o produz, a oração é boa; senão, é de fraca qualidade. O amor é duplo: amor de Deus e do próximo. O amor de Deus consiste em dizer cada vez mais profundamente: “Faça-se a vossa vontade”, com adesão activa e passiva:
- Adere-se passivamente, aceitando tudo aquilo que o Senhor realiza em nós e em torno de nós, vendo nestas ocasiões outros tantos convites à intimidade com Ele.
- Adere-se activamente, fazendo com generosidade tudo aquilo que o Senhor requer de nós.
Se verificarmos que a oração produz estes efeitos, tranquilizemo-nos: a oração é boa.
Mas para S. Teresa o critério prático para ver se a pessoa tem verdadeiramente o amor, é a caridade para com o próximo. É no amor ao próximo que se torna tangível o amor de Deus. O carácter que marca o ser cristão é a caridade fraterna, é aquela atitude de profunda benevolência que nunca esmorece, apesar das ingratidões.
O próprio S. Tomás diz que, se não podermos ter a certeza metafísica de estarmos na graça de Deus, podemos, no entanto, ter a certeza moral, e esta é-nos dada pelas provas de amor para com o próximo.
Esta é a síntese a que nos quer conduzir S. Teresa: a finalidade da oração é alimentar o amor.
Outro aspecto muito belo do Pai Nosso é que, desde o principiante até ao que chega à contemplação perfeita, todos o podem rezar. Serve para todos e todos podem dele retirar todo o bem, ainda que cada um na sua medida.
Finalmente ela pede que nunca deixemos de fazer este caminho de oração sem o Mestre divino, Jesus, pois são grandes os perigos que se podem encontrar. Só bem unidas a Jesus e em profunda comunhão com Ele “Sabedoria eterna” e “bom Ensinador”, podemos percorrer este caminho da oração. Destes perigos e tentações falará ela nos capítulos seguintes.
Video
Ficheiro
2011-09-22
