Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Caminho de perfeição - Capítulo XL
Estes quatro capítulos formam um conjunto em dois dípticos:
- Capítulo 38-39: Fala das tentações dos contemplativos
- Capítulo 40-41: Remédios para as tentações: amor e temor: “O amor nos fará apressar o passo; o temor nos fará ir vendo onde pomos os pés para não cair” (C 40, 1).
S. Teresa vai centrar a atenção no comportamento do homem: como andar entre as mesmas. Os remédios, como já referimos, são o “amor “ e o “temor”.
O temor de que S. Teresa aqui fala é o temor filial, não o temor servil. O temor servil é o do servo que não quer desgostar o seu senhor por medo ao castigo: o temor filial, pelo contrário, é o do filho que não quer dar o mínimo desgosto ao pai que ama.
As tentações são meios de que o mau espírito se serve para retardar o nosso caminho para Deus.
Neste capitulo 40, detém-se S. Teresa a falar do primeiro remédio: o amor.
O amor nos contemplativos
A primeira questão que S. Teresa põe é se podemos saber que temos amor e temor. Ter uma certeza absoluta de estar na caridade (o mesmo seria dizer ter a certeza de estar em graça), não é possível, ou seja, não é possível uma certeza matemática, metafísica. Mas podemos, contudo, ter uma certeza moral, prática e é por isso que ela afirma: “Dir-me-eis: como saberemos se temos estas duas virtudes tão grandes, tão grandes? E tendes razão, porque sinal muito certo e determinado não o pode haver; porque se o tivéssemos de ter amor, ficaríamos certos de que estamos em graça. Mas olhai, irmãs, há sinais que parece até os cegos vêem; não ficam secretos; e, mesmo que não os queirais entender, eles darão vozes que fazem muito ruído” (C 40, 2).
Estes sinais ou provas de possuir o amor, enumera-os no número 3:
- A pessoa que deveras ama a Deus não pode amar vaidades. A pessoa que tem este amor só se interessa das coisas do Senhor, dedica-se de coração ao próximo, não espera recompensas pelos serviços prestados (pois faz as coisas pelo Senhor e não pela pessoa) e dedica-se a tudo o que é serviço do Senhor: este é um sinal evidente de que pertence a Deus e de que não tem apego ao mundo: “Quem deveras ama a Deus, todo o bem ama, todo o bem quer, todo o bem favorece, todo o bem louva, com os bons se junta sempre e os favorece e defende; não ama senão verdades e coisa que seja digna de se amar. Pensais que é possível, a quem mui deveras ama a Deus, amar vaidades, ou riquezas, ou coisas de deleites do mundo, ou honras, ou tenha contendas ou invejas? Não, que nem pode.” (C 40, 3).
- Total centramento em Deus: “Não pretende outra coisa senão contentar ao Amado. Andam estes morrendo para que Ele os ame, e assim dariam a vida para entender como mais Lhe hão-de agradar. Que o amor de Deus, se deveras é amor, é impossível que esteja muito encoberto” (C 40, 3). O amor dos contemplativos só tem uma única preocupação: O Senhor.
- Foge de tudo aquilo que possa afastá-la do Senhor.
Este amor é efeito da contemplação, pois “aqui sempre o amor é muito – ou eles não serão contemplativos” (C 40, 4). Se não há este amor, diz a Santa: “E, se não há isto, andem com grande receio; creiam que têm bem que temer, procurem entender o que é, orem por essa intenção, andem com humildade e supliquem ao Senhor que não os traga em tentação; que, certo é, não havendo este sinal, eu temo que andemos nela” (C 40, 4).
O que alimenta o amor
- Meditar os mistérios que a fé nos oferece para cairmos na conta do grande amor de Deus por nós.
- Saber que somos amados e fazer a experiência deste amor do Senhor por nós, mostrando-o pelas nossas obras de caridade.
Vantagens do amor
- Quem tem este amor, apesar das tentações e perigos do caminho, não vive uma vida espiritual encolhida, assustadiça, retraída e escapadiça. Possuindo este amor S. Teresa aconselha às suas filhas a andarem “alegres e sossegadas” (C 40, 5), não precisando de andarem tão encolhidas e apertadas, mas andar com liberdade no trato com os outros, uma vez que já se decidiram a não ofender a Deus.
- S. Teresa aponta ainda: a segurança e paz da pessoa em face da morte: “Praza a Sua Majestade nos dê o Seu [amor] antes de nos tirar desta vida, porque será grande coisa, à hora da morte, ver que vamos ser julgados por Aquele a quem temos amado sobre todas as coisas. Poderemos ir seguras do pleito de nossas dívidas; não vamos para terra estranha, mas para a nossa própria, pois é a d’Aquele a quem tanto amamos e nos ama” (C 40, 8). E prossegue: “Oh! Não queiramos regalos, filhas; estamos bem aqui; tudo é uma noite numa má pousada. Louvemos a Deus, esforcemo-nos por fazer penitência nesta vida. Mas, que doce será a morte para quem já a fez de todos os seus pecados e não tem de ir ao Purgatório! E como até poderá ser que, ainda neste mundo, comece a gozar da glória, não verá em si temor, senão inteira paz” (C 40, 9).
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Ficheiro
2011-09-22
