Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Fundações: Capítulos 13-14
Assistimos, nestes dois capítulos, à fundação do primeiro convento de carmelitas descalços no primeiro domingo de advento, 28 de Novembro de 1568.
Seis anos depois, Teresa escreve sobre aqueles começos. Dedica o capítulo 13 a expor as circunstâncias que concorreram para esta fundação: oferecimento da casa, as dificuldades para encontrar esse “lugarzinho”, a “demasiada pouca limpeza que tinha e a gente de Agosto [mosquitos de verão] ”, a opinião desfavorável dos que a acompanhavam, a decisão de António de Jesus e de João da Cruz de começarem assim, a permissão ou licença dos superiores provinciais. Teresa dedica o capítulo 14 a descrever a vida dos dois fundadores “naquele portalzinho de Belém” e o bom exemplo que tinham propagado por toda a comarca com a sua pregação. É a recordação apaixonada da obra de Deus através de meios tão pobres e ordinários (cf. F 13, 7).
Na Primavera de 1567, nasceu a ideia de fundar descalços, quando Teresa já tem licença do Geral para fundar mais mosteiros de carmelitas descalças. O seu argumento era claro: “Considerando eu alguns dias depois que, se se fundassem mosteiros de monjas, precisava de frades da mesma Regra” (F 2,5). A 10 de Agosto de 1567, recebe do P. Geral a patente para fundar dois conventos de “carmelitas contemplativos” em Castela. Vai tardar mais de um ano a pô-lo por obra.
Vale a pena reler o encontro entre a Santa e o P. Geral tal como ela o relata em F 2, sobretudo os números 4-6, no que se referem à fundação de frades. Contará rapidamente com as pessoas, mas a casa não aparecerá senão dez meses depois e em condições deploráveis. Foi assim insegura, humanamente falando, a origem dos carmelitas descalços. Mas o actor principal não era Teresa, mas Deus.
Para reflectir, rever a vida, interceder, agradecer, contemplar…
1. Teresa não se amedronta perante as poucas condições que a casa oferece. Pergunta ao P. António: “se teria coragem para passar lá algum tempo. Assegurei-lhe que Deus remediaria rapidamente as coisas e que a dificuldade estava em começar (…) Fiz-lhe ver que nem o Provincial actual nem o anterior (…) dariam consentimento se nos vissem em casa muito medrada (…) Mas naquele lugarejo e casa não fariam caso deles. Deus tinha-lhe dado mais coragem do que a mim…” (F 13,4).
- À hora de secundar os planos de Deus, conta mais a ousadia da nossa confiança n’Ele ou o temor perante as contrariedades que possam surgir?
Ficha VI.- LIVRO DAS FUNDAÇÕES – II
2. O estilo de vida de Teresa está marcado pela presença do Mestre no meio da comunidade e por uma série de valores humanos que fortalecem a fraternidade e o sentido de pertença ao grupo: “havia ocasião de informar Frei João da Cruz acerca de toda a nossa maneira de proceder, para que levasse bem entendidas todas as coisas, tanto de mortificação como do estilo da nossa irmandade e recreação em comum, pois tudo se faz com tanta moderação…” (F 13,5).
- Que valores caracterizam este novo estilo de irmandade?
O exemplo das irmãs é a melhor escola para João da Cruz: - Somos conscientes da importância da nossa coerência de vida no seio da Igreja e da sociedade?
3. Levou-se a cabo a fundação de Duruelo num “lugarejo” (Teresa já não se lembra do nome), numa casa desmantelada, sem dinheiro para a acomodar com o mais imprescindível para viver, mas com a alegria interior dos dois primeiros descalços que tudo transforma em oportunidade de fidelidade e entrega.
Comentar, nesta linha, a reflexão e exortação de Teresa em F 14,4, e aplicá-la ao nosso momento actual: “Oh! Valha-me Deus! Que pouca influência têm os edifícios e as comodidades para a vida interior! Por amor de Deus vos peço, irmãs e padres meus, que nunca deixeis de ser muito moderados nisto de casas grandes e sumptuosas. Tenhamos presentes os nossos verdadeiros fundadores, aqueles Padres, nossos antepassados. Bem sabemos como, por aquele caminho de pobreza e humildade, gozam de Deus”.
Comentar, também, F 14,5, onde recupera uma das suas virtudes básicas: a determinação.
4. A evangelização forma parte do carisma teresiano: “Iam pregar a muitos lugares da comarca sem nenhuma doutrina de onde lhes viesse, e por isso também folguei muito com a fundação daquela casa” (F 14,8).
-O nosso apostolado, tanto leigos/as como religiosos/as, responderá a uma exigência da nossa identificação com o carisma de Teresa?
“Mas tudo lhes parecia pouco, tão contentes andavam” (F 14,8). A fortaleza sempre vem de Deus: sentimo-nos felizes nos nossos compromissos apostólicos de poder ajudar “este Senhor meu, que tão atribulado O trazem” (CP 1,2), apesar dos sensabores e contrariedades que encontramos?
5. É sempre bom rever a origem das flutuações do nosso carácter, dos nossos sentimentos, das nossas reacções e das nossas atitudes.
- É Deus o critério definitivo da nossa conversão, da nossa mudança interior?
Bibliografia:
1. Álvarez, Tomás, 100 fichas sobre Teresa de Jesús, Burgos, Monte Carmelo 2007.
2. Álvarez, Tomás, Comentarios al libro de las «Fundaciones», Burgos, Monte Carmelo 2011
Video
Ficheiro
2012-01-24
