Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
O Livro das Fundações, uma aventura sempre nova – II
As Fundações transformam-se num campo de batalha onde lutam as hostes do maligno com as hostes desse Grande Capitão, que é Cristo na sua humanidade, que é a presença do Santíssimo Sacramento.
A vida que aparece em Fundações encontra-se a meio caminho entre a terra e o céu, entre o milagre e a presença do maligno que dificulta tudo. Cada fundação, cada novo mosteiro será uma vitória sobre o maligno, cada alma ganha será uma derrota do maligno. Teresa é a cronista que, com linguagem simples e familiar, narra as grandes façanhas do Senhor, e narra-as em primeira pessoa com a autoridade da experiência de quem esteve no campo de batalha e participou nas mesmas. Faz o reino, constrói a Igreja, cria comunidade. Dá conselhos para ganhar as batalhas em que esta aventura sempre nova envolverá as suas filhas, os seus leitores.
Mas Teresa não podia ficar de fora, contextualiza-se, funde-se com o texto. Dá razão do seu proceder e da sua missão perante os seus confessores, a Censura e a Igreja inteira. Nas Fundações segue o trabalho começado na Vida. Aqui explica-se bem a necessidade de dar razão da sua vida mística relacionada, ou em consonância, com a sua obra doméstica. A crónica transforma-se em “intrahistória”, transforma-se em pergunta. Será obra de uma santa ou será obra de uma iluminada? Será obra do seu empenho ou será mesmo obra de Deus? Como dar razão do Carmelo descalço? Teresa confessa-se com os factos. Procura discernimento. Procura aprovação, tanto das suas irmãs como da Igreja e da sociedade em geral. Assim como o guia de Tormes dá com o seu escrito razão da sua posição social, Teresa nas Fundações dá razão de si na realidade da reforma. Assim como O Guia de Tormes procura educar e tem cores moralizantes, as Fundações é o retrato da vida cristã exemplar.
Definitivamente, as Fundações são a memória das recordações de Teresa. Por elas aparecerão de forma mais viva aqueles que a impressionaram e que ficaram guardados na sua memória. Dá-se, portanto, uma sucessão emocional. Aparecem compilados uma ampla gama de cores, de aromas e de sentimentos interiores. Deles extrairá lições práticas para as suas monjas. É como todas as suas obras, uma comunicação da sua inteligência, da sua personalidade, da sua determinada determinação, da sua sensibilidade e do seu amor por Cristo, pela sua humanidade e sua divindade, numa época em que esta parecia ameaçada. As Fundações são uma resposta encarnada na leitura dos sinais dos tempos. É nova evangelização. É aventura sempre nova, para quem cria empatia pela sua leitura. “Agora começámos e procurem ir começando sempre de bem a melhor”.
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Ficheiro
2012-05-09
