Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
O Livro das Fundações, uma aventura sempre nova – VI
1 – Estruturas e planos de leitura
Na nossa intenção de dotar de esqueleto ou de dar uma estrutura a este texto encontramo-nos com a complexidade própria de um livro escrito de maneira descontínua no tempo e com pluralidade de conteúdos. Dependendo do critério utilizado obteremos uma ou outra estrutura.
A estrutura mais básica seria a fundamentada na distinção entre conteúdos históricos e doutrinais, mas seria pouco operativo na hora de facilitar a leitura, além disso confundia; já que em poucas ocasiões o dado histórico é confuso para expor a doutrina.
Outra estrutura estaria baseada na descrição de cada capítulo do livro, pegando em cada um deles de maneira independente. O resultado seria semelhante ao anterior e, inclusive, mais problemático, uma vez que perderíamos a visão geral do livro e a perspectiva da batalha entre Deus e o maligno no meio do mundo e das suas gentes. Além disso dificultaria ao máximo grau a conexão entre os níveis pedagógico, doutrinal e histórico.
Outra possibilidade é a baseada na estrutura interna do texto, atendendo às datas distintas de composição e aos paralelismos e diferenças que se dão entre os capítulos tomados individualmente e de maneira conjunta. Seguindo estes critérios Victor Garcia de la Concha e Guido Mancini apresentam-nos uma estrutura muito parecida e de fácil compreensão. O livro divide-se em três partes atendendo às datas e lugares de composição. A primeira parte escrita em 1573, compreenderia os capítulos I-XX, que por sua vez se dividiria em duas partes. A primeira dessas sub-partes compreenderia as fundações de Medina del Campo, Malagón, Valladolid com as biografias de Beatriz Ordóñez e Casilda de Padilla e Duruelo (cap. I-XIV). A segunda, começa com a fundação de Toledo – que parece uma narração independente às anteriores, pela maneira de começar o capítulo – e continua mediante uma rápida sucessão com as fundações de Pastrena, Salamanca, com os conselhos às prioresas e Alba de Tormes.
A segunda parte, que abarca os capítulos XXI-XXVII, trata das fundações de Segovia, Beas, Sevilha e contém as biografias de Jerónimo Gracián e Catalina Godínez. Estes capítulos compõe-nos em 1576, enquanto está confinada em Toledo e apresenta certo paralelismo com a parte anterior. O que nos faz pensar que Teresa tinha um certo plano estabelecido na hora de organizar o livro e ainda o tinha fresco no momento da escritura destes capítulos. Acrescenta-se que o capítulo XXVII apresenta a primeira conclusão da obra. Apresenta-se já como obra concluída. A terceira parte abandona este plano, distancia-se no tempo e vai redigi-la ao mesmo tempo que se realiza a fundação, confirma-nos a grande quantidade de dados que contém. Agora há tempos mais céleres e menos possibilidades para detalhar os capítulos. Teresa desdobra a sua linguagem com a descrição da grande quantidade de detalhes e a presença da fadiga e do cansaço ocasionados pelas perseguições vividas e das novas dificuldades que vão aparecendo.
Para além destas estruturas textuais aparece uma estrutura profunda que confere coesão e unidade a todos os capítulos e conteúdos. Estrutura que situa as Fundações como continuação da Vida e conclusão da primeira parte do Caminho; no concreto da parte ascética, na sua chegada à perfeição na prática da obediência, contemplação perfeita é obediência transformada na plenitude da Liberdade. Oração, desapego, amor, humildade e obediência convertem-se em irmandade e recriação sempre nova. A obediência deixa de ser obediência, para ser manifestação da liberdade do sublime.
Tratar-se-ia de uma estrutura espiritual que tem a sua origem na narração da fundação de São José e que se repete de maneira mais ou menos sistemática em todas as demais. O seu ponto de apoio é a obediência, o seu moldar-se é esta nova vida religiosa que quer encarnar num estilo de irmandade e recriação e a sua localização final está em cada nova fundação. Se este processo na Vida aparece localizado no interior da alma, nas Fundações localiza-se no exterior da pessoa e no Caminho nos conselhos para a comunidade.
Responderia, em definitivo, ao seguinte esquema:
– Exposição (Obediência a Deus).
– Chamada de Deus para algo.
– A vivência pessoal/a relação.
– Os trabalhos: (A ascética da obediência o discernimento).
– Diálogo consigo mesmo.
– Diálogo com os demais.
– Diálogo com Deus.
– Diálogo com os adversários.
– Desenlace: a fundação (O triunfo da obediência).
– Buscando ajudas.
a) De Deus.
b) Dos homens.
– A compra da casa.
– O fim da aventura.
Video
Ficheiro
2012-05-14
