Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
O Livro das Fundações, uma aventura sempre nova – VII
2 – Níveis de Leitura
O esquema anterior permite-nos realizar uma leitura a três níveis diferentes:
2.1 – Nível histórico:
As Fundações oferecem os dados necessários para conhecer como se desenrolou a reforma: economia, caminhos, meios de transporte, pessoas que ajudam e dificultam a obra, situação geográfica dos conventos, peripécias acontecidas durante as viagens e as fundações, os testemunhos de gratuidade, etc. Estamos perante a crónica das origens da família teresiana. Apoio e complemento desta leitura são as cartas que a santa escreveu.
2.2 – Nível exortativo:
Dos dados históricos e dos exemplos tira-se uma explicação doutrinal ou didáctica.
a) O doutrinal centra-se em torno da obediência e o seu papel na vida espiritual: prólogo: a obediência de escrever; cap. II: obediência e fé; cap. III: as Misericórdias de Deus encontram a sua raiz na obediência; cap. IV, a obediência, conversão radical a Deus; cap. V: a obediência e a sua relação com a oração; cap. VI-VIII: o sobrenatural e o patológico têm uma chave de discernimento na obediência; cap. X-XII: a misericórdia, a dor e a obediência; cap. XIV-XIX: a pobreza, a vontade e a obediência; cap. XVIII-XXV: o perfil biográfico do P. Gracián e a obediência; e os capítulos que narram as últimas fundações: Caravaca, Villanueva, Palencia, e Burgos como personificação da obediência em si mesma. Ajudada, isso sim, pela presença e o ânimo do protagonista: Sua Majestade: “Que temes? Quando te faltei? O mesmo que tenho sido, sou agora; não deixes de fazer estas duas fundações” (F 29, 6).
b) O didáctico agrupa-se como continuação do Caminho e preparação para levar com perfeição o estilo de irmandade e recriação. Alertas em torno dos perigos de melancolia (cap. VII), dá alguns avisos às prioresas (cap. XVIII), ensina a viver em comunidade com realismo (caps. I-VIII; XIV-XVII, XXII-XXIII), apresenta perfis biográficos que ajudarão na acepção de candidatos (caps. XI, XII, XXIII-XXV, XXVI-XXVIII).
Estamos no âmbito da prosa didáctica. Teresa mãe e fundadora deixa-nos o seu testamento.
2.3 – Nível mistagógico:
Apresenta-nos a luta entre Deus e o maligno. É a estrutura profunda que acolhe o objecto primordial da obra (F prol. 3) e a relação em que Teresa dá razão de si e da sua obra, fruto da obediência ao P. Ripalda e ao P. Gracián. Contempla-se a história como lugar teológico e a Teresa como leitora dos sinais dos tempos. É a encarnação da mística na realidade da sua Igreja com a assunção das responsabilidades próprias. As Relações ou Contas de Consciência oferecem-nos chaves para compreender melhor esta leitura.
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Ficheiro
2012-05-15
