Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
O Livro das Fundações, uma aventura sempre nova – X
Os conselhos evangélicos são a base da vida religiosa e manifestam-se tanto nas virtudes humanas como nas teologais, possibilitam como consequência a liberdade de espírito (F 5,15), e por sua vez realizam a inserção do religioso no meio do mundo.
Nas Fundações incide muito na importância da pobreza como testemunho do Reino de Deus no meio do mundo (F 14,4-5; 15,14-15), também na obediência que organiza a comunidade e nos põe na disposição de nos configurarmos com Cristo (F 5) e colaborar com a sua graça na realização do próprio projecto pessoal na vida comunitária. Pelo contrário, a castidade não aparece citada directamente; sem dúvida está em todas e em cada uma das suas páginas como atmosfera necessária para que este livro encontre o seu sentido (F 4, 5; 28, 14.43; 31, 46.47).
A vida religiosa é uma busca da perfeição cristã dando provas do amor de Deus (F 5, 15), da liberdade de espírito que nasce desse amor (F 6, 15) sendo exemplo de paciência e humildade para o mundo (F 5, 15). Em resumo, poderíamos dizer que para Teresa é uma opção profunda de fé, uma imagem de Cristo crucificado e salvador e um projecto de libertação integral, entendida como serviço à Igreja. Vivido todo ele num ambiente de recreação, silêncio e equilíbrio pessoal. Postos os olhos sempre em não perder a radicalidade da doação e a experiência da novidade:
Vejo que tenho perdido os seus trabalhos e que, de modo nenhum, me posso queixar de Vós. Nem é bem que alguma se queixe; mas, se vir que a sua Ordem em algo vais decaindo, procure ser pedra capaz de tornar a levantar o edifício, que para isso o Senhor dará ajuda (F 4, 7).
a)…para fazer Deus grandes graças a quem deveras o serve, é sempre tempo, e procurem observar se há falha nisto e emendem-na (F 4, 5).
As Fundações são um texto privilegiado para observar a presença da Providência Divina na história do homem e a experiência que da mesma tem a Santa. Já desde o mesmo prólogo (3) aparece esta realidade como a finalidade procurada. O Senhor vai solucionando os diferentes problemas que surgem em cada fundação. Consegue a casa de Medina del Campo (F 3, 3-4), protege as monjas frente aos touros (F 3, 7), confirma-lhe que deve fundar em Malagón apesar de ser pequeno o lugar e nada comunicada (F 9, 5), obriga-a a pôr-se a caminho nas últimas fundações (F 29, 6).
Por isso, é um trecho da história pessoal de salvação de Teresa, que se apresenta ao estilo das grandes figuras bíblicas como a pessoa que se põe à frente do povo para o guiar até à terra que Deus lhe prometeu. E do mesmo modo que os livros históricos do Antigo Testamento apresentam uma estrutura para realçar a presença de Deus, também aqui nos encontramos com esta estrutura centrada no dramatismo da batalha que se dá na alma e no mundo entre Deus e o maligno. Assinalemos a modo de exemplo a noite passada em Salamanca. Momento em que os temores humanos são sinal de tentação e motivo para mostrar a confiança depositada em Deus.
Video
Ficheiro
2012-05-18
