Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
O Livro das Fundações, uma aventura sempre nova – XI
Numa época em que se nega a presença e a humanidade de Cristo, ela vai responder com a vivência de Cristo esposo e com a tomada de posse de todas as suas fundações por parte do Santíssimo Sacramento (F 3, 9). Frente à tentação de abandonar aquela Igreja pecadora, sente-se indiscutível filha dessa Igreja, nestes tempos que são incumbidos aos amigos fortes de Deus (V 15, 5) e há sempre grandes testemunhos daqueles que dão razões para serem luz perante o mundo (F 28, 5). São as seguidoras de Deus, formadas por pessoas simples e humildes, que acrescentarão com a sua debilidade o protagonismo de Deus e actuarão como sinal profético, de denúncia ante os males da sua época e de procura da vontade de Deus.
Teresa capitaneará uma forte actividade missionária e uma constante actividade evangelizadora frente ao movimento reformador. Levá-lo-á por diante participando vivamente da sua realidade eclesial, tomando partido pelos espirituais, mas sem deixar de lado os letrados. Inclui o seu ideal de vida e oração dentro do movimento da “Devotio Moderna”. Democratizando e universalizando a oração como caminho de santidade.
Inaugura um novo estilo de vida, que quer servir a Igreja inserindo-se na sociedade, como elemento contestatário às tradições aprendidas na Encarnação. Perante os mosteiros com muitas monjas, prefere mosteiros com poucas, ao estilo do colégio de Cristo. Perante o tema da honra, apresenta a bandeira da igualdade evangélica; perante os privilégios das monjas ricas, toma uma opção pelas pobres – como mostram a fundação de São José e todos os demais mosteiros (sejam de renda ou sem ela) -; frente à degradação que supõe o trabalho manual, opta conscientemente pelo trabalho manual para que as suas monjas possam ser livres nas suas decisões e permaneçam sempre afastadas das tentações e das escravidões que provinham de dar contentamento aos benfeitores. Além disso, frente às guerras de religião, ela defenderá a necessidade de uma resposta pacífica: as suas fundações (CV 3, 1).
A história é para Teresa de Jesus o lugar privilegiado para ler os sinais dos tempos e de unir a própria vontade à vontade de Deus em clara projecção escatológica. Daí que a leitura da história e a compreensão da vida necessitem de discernimento. Isto é o que fará Teresa, desde o momento da visão do inferno. Por isso as Fundações não são outra coisa que uma grande pergunta ou uma relação apresentada diante daqueles que podem dar categoria eclesial a esta obra.
As Fundações são uma leitura da vida rodeada entre a percepção do Transcendente e a consciência de ser limitado, característica omnipresente na história do homem. As Fundações são experiência do Amor de Deus vivido na tensão escatológica do já mas ainda não.
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Ficheiro
2012-05-21
