Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Aceno histórico: Teresa e a oração contemplativa – I
No tempo de S. Teresa, a oração contemplativa era tida em suspeita, afigurando-se um favor extraordinário, que era não só perigoso receber e muito mais desejar. A humildade exigia (assim se pensava) que um tal dom devia ser rejeitado.
A própria Santa sofreu gravemente da parte de directores que, reputando-a uma doente da imaginação, ordenaram-lhe que renunciasse à sua maneira de fazer oração e de se manter distante do Senhor, que não deseja senão ser amado das Suas criaturas. Por isso, Teresa não se cansa de advertir as suas filhas de que não ouçam tais conselheiros.
Foi assim que o Senhor a ensinou a tratar com Ele, desde que a visão do mesmo Senhor, preso à coluna, açoutado e vertendo sangue, lhe inflamou a alma de amor. Esta a razão também por que passa, rapidamente, pelas primeiras três «moradas» do Castelo Interior, entretida com a meditação e a oração de quietude e, como que impaciente por chegar ao primeiro estado da vida mística, por ser ele a vida de amor puro.
Antes de Santa Teresa descrever a ascensão da alma até Deus, nenhum escritor espiritual se ocupara propo¬sitadamente dos estados intermediários da via mística, a que chama a oração de quietude e a oração unitiva.
Entre a oração (meditação) praticada pela maioria das pessoas devotas e os êxtases dos Santos, havia uma região a que ninguém se dera ainda ao incómodo de investigar. Mas, na ordem normal da vida interior, apesar de haver, claro está, excepções, a alma é erguida ao estado extático, somente após um período prolongado nos graus inferiores da contemplação.
Como estas modalidades de oração mística são muito menos evidentes do que o êxtase, tornam-se também mais difíceis de analisar, e a admirável lucidez que a Santa atinge nas suas descrições dificilmente se pode atribuir à sua extraordinária sagacidade psicológica ou aos seus talentos literários. O testemunho das religiosas carmelitas que afirmam ter ela escrito com o rosto trans¬figurado, envolto frequentemente numa luz ultra-terrena e com uma velocidade invulgar, confirmam a impressão de haver recebido inspirações e auxílios sobrenaturais na composição dos seus livros, que, segundo o Breviário Romano, são «documentos de sabedoria celeste».
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Ficheiro
2012-05-30
