Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Aceno histórico: Teresa e a oração contemplativa – III
S. Teresa foi agraciada com muitos fenómenos, como visões e sobretudo locuções. Em 1558, três anos depois da sua conversão, teve o seu primeiro rapto. E desde então viveu quase esma¬gada por uma torrente das mais extraordinárias graças.
Recordemos a célebre transverberação do seu coração com um dardo incandescente, cravado por um serafim; os transportes violentos e frequentes levitações e, como remate deste estado extático, o famoso êxtase de Sala¬manca, depois do qual volveu a si com as palavras tão frequentemente citadas: «Morro porque não morro».
Os êxtases dos Santos são sempre uma leitura mara¬vilhosa e, por vezes, somos inclinados a perguntar que espécie de vida seria a nossa se os experimentássemos. Santa Teresa é, ainda uma vez mais, excelente guia, não só enquanto nos revela a sublimidade do estado extático, mas as profundezas do sofrimento com que é obtido. Por detrás da glória da transfiguração há-de sempre esconder-se a sombra da cruz, porquanto «desde esse dia começou Jesus a declarar aos Seus discípulos que era necessário que Ele fosse a Jerusalém e padecesse muitas coisas»...
Muitas coisas, quer espirituais, quer materiais, fazem sofrer a alma nesta «Sexta Morada», porque, longe de supor o contemplativo dotado duma espécie de poder estóico de resistência, a vida mística eleva e apura a sua sensibilidade.
Há as tribulações derivadas da falta de compreensão, quando a alma é abandonada mesmo pelos amigos da sua maior confiança; provações provenientes também da falta de saúde, pois, nesta morada, tem quase sempre de suportar acerbos sofrimentos físicos. Mas, pior que tudo, são as provações espirituais, «quando, como diz a Santa, é tal a aridez que o espírito sente-se como se nunca tivesse pensado em Deus, nem jamais virá a ser capaz disso», e quando directores tímidos a fazem recear que é uma vítima de ilusões.
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Ficheiro
2012-06-04
