Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Aceno histórico: Teresa e a oração contemplativa – IV
A oração mística torna-se muitas vezes uma fonte dos padecimentos mais agudos, quando a separação da perfeita posse de Deus é sentida com uma intensidade semelhante aos tormentos do Purgatório.
E, no entanto, as consolações da alma, neste estado, são de tal ordem que fazem suaves todos os seus sofri¬mentos. O êxtase, escreve a mística, não é como um delíquio ou um ataque em que nada se sente; pelo contrário, «a alma nunca se sentiu mais viva para as coisas espirituais nem tão cheia de luz e do conheci¬mento de Sua majestade, como agora». Porque, enquanto as faculdades da alma estão assim suspensas, Nosso Senhor descobre-lhe mistérios celestes, e «certas verdades sublimes são tão profundamente gravadas na mente que não carece de outro mestre, pois sem qualquer esforço da sua mesma sabedoria, Ele próprio dissipou-lhe a igno¬rância em que até aí vivera».
Que assim é, depreende-se do facto incontestável de os grandes extáticos da Igreja, por muito deficiente que fosse a sua educação, terem sido sempre dotados de extraordinária firmeza e rigor doutrinal. Ou consideremos Santa Catarina de Sena ou Santa Catarina de Génova ou o Santo Cura de Ars, a sua perspicácia nos mistérios da fé é igual apenas à grandeza da sua vida extática, em que receberam, como S. Paulo, segredos divinos que não é permitido ao homem revelar.
E a par desta iluminação intelectual progressiva verifica-se em Santa Teresa, como em muitos outros místicos, uma actividade crescente. No seu caso, temos a vantagem inestimável que as suas graças místicas e empresas levadas a cabo quase podem ser reconstruídas passo por passo. O primeiro rapto, que marca o início do seu estado extático, ocorreu em 1558; a transverberação, juntamente com o voto de perfeição, seguiu-se em 1559; e dois anos mais tarde, quando a sua vida mística atingia firmemente a plenitude, a vida de acção começou com as dificuldades da fundação do convento de S. José em Ávila.
Construído por ela, no intuito de ser um retiro onde pudesse satisfazer o seu desejo de oração e de mortificação nos restantes anos de vida, foi destinado por Deus para ser o berço da reforma da sua Ordem, trabalho que, na verdade, consumiu as últimas energias da mística castelhana.
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Ficheiro
2012-06-04
