Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Aceno histórico: Teresa e a oração contemplativa – VI
Com a cessação dos êxtases, a alma atingiu a plena maturidade espiritual; doravante «permanece no seu centro com o seu Deus». Tal o dom final que nos é concedido, «contanto que nos esvaziemos por amor de Deus de tudo o que pertence às criaturas» e então «esse mesmo Senhor encher-nos-á de Si mesmo».
Os efeitos da união transformante são ainda mais maravilhosos do que os das outras Moradas, pelo facto de produzirem «um esquecimento tão completo de nós mesmos, que a alma parece realmente não existir e só deseja ser tida na conta de nada». Ao mesmo tempo, a sua sede de sofrimento aumenta, embora seja menos violenta, e «sente grande alegria interior quando perseguida». Perfeitamente desprendida de todas as criaturas, dois desejos, lhe resta apenas: ou estar sozinha ou ocupada no bem espiritual do pró¬ximo.
Os dons do Espírito Santo completaram a sua obra; a árvore podada e inoculada pelo divino jardineiro pro¬duz frutos cem por cento. Nas perseguições desencadeadas pelo ramo mitigado-da sua Ordem, Santa Teresa manter-se-á firme, aconse¬lhando, encorajando, aceitando humilhações, porque, como ela escreveu, «uma alma, neste último estado da vida mística, é mais activa do que dantes em tudo o que diz respeito ao serviço de Deus».
Mas não teria a Santa perdido toda a sensibilidade humana nesta perfeita transformação que diviniza a alma, dotando-a duma coragem sobre-humana e dum poder de resistência? E a sensibilidade é uma parte integral do ser humano. De novo, o próprio testemunho de Santa Teresa, especialmente nas suas cartas, mostra claramente que nisto, como em tudo, a graça não destrói, mas aperfeiçoa a natureza. Apesar da consciência contínua que tem da morada das pessoas divinas na sua alma, 'anseia pela compreensão humana, e as suas cartas, particularmente as endereçadas ao padre Graciano, reve¬lam o amor maternal mais terno e a solicitude pelo bem--estar deste seu filho espiritual, de quem tanto dependia a obra da Reforma.
Continua a sofrer e a sentir também, mas com muita paz e mansidão, a ingratidão dos homens, e, nove anos depois do Casamento Místico.
Nesta mística não há nada das quimeras desumanas relativamente ao «amor desinteressado», que levará, mais tarde, os quietistas a extraviarem-se. Através do gozo da união mais plena e exaltada que é possível com Deus nesta vida, passou a ser a criatura mais perfeitamente humana. A mais perfeitamente humana também nos traços tipicamente femininos do seu carácter: poder imaginativo, emoções fortes, sensibilidade e impetuosi-dade foram subjugados gradualmente, sob o domínio de maravilhosas qualidades masculinas, como a força de raciocínio, o autodomínio e o bom senso. Os místicos, vivendo mais divinamente, vivem também mais humanamente, no sentido rigorosíssimo da palavra, tendo recebido da plenitude d'Aquele que veio para que tivéssemos vida abundante.
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Ficheiro
2012-06-12
