Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Teresa de Jesus, mestra de experiência – III
«Não direi coisa que não tenha experimentado muito» (V 18, 8); «o que disser, tenho-o comprovado por experiência» (V 22, 5; 28, 7).
A Santa insiste em dizer que não se trata de coisa sobrenatural, mas de um facto que depende da nossa vontade e que nós podemos realizar com a ajuda de Deus. As características são as seguintes: os sentidos retiram-se das coisas exteriores e consideram-nas de pouco valor; os olhos fecham-se espontaneamente, enquanto se torna mais agudo o olhar da alma (cf. C 28, 6); e “ali, recolhida consigo mesma, pode ela meditar na paixão, representar à mente o Filho de Deus, e oferecê-lo ao Pai, sem cansar o espírito, como se o buscasse no Monte Calvário, no Horto ou na coluna” (C 28, 4). Assim, toca-se a própria substância da oração de recolhimento: uma intimidade viva e amorosa da alma com Deus que mora em nós.
E como será muito difícil para a alma, sobretudo no início, habituar-se a orar deste modo, a Santa sugere algumas práticas que a ajudaram a concentrar-se:
- A primeira é dar-se conta de que a nossa alma é a morada do Senhor, que nela reside como um rei em seu palácio: “Façamos de conta que dentro de nós há um palácio de grandíssima riqueza, todo feito de ouro e pedras preciosas (...). Da vossa parte, como é verdade, contribuís para esta magnificência. Este palácio é a vossa alma, quando está limpa e cheia de virtudes. Não há edifício de tanta formosura que se lhe compare. Imaginai agora que neste palácio reside o grande rei. (...) Se vivêssemos com cuidado, lembrando-nos frequentemente de que temos em nós tal hóspede, acho impossível darmo-nos tanto às coisas do mundo” (C 28, 9-10).
- A segunda é entregar-nos completamente ao Senhor, porque “como não nos constrange, aceita o que lhe oferecemos. Contudo, não se dá de todo enquanto não nos damos de todo a Ele” (C 28, 12).
- A terceira é esforçar-se em viver numa atmosfera totalmente espiritual, já que a oração de recolhimento exige a prática quotidiana da presença de Deus: “Cumpre desapegarmo-nos de tudo para nos aproximarmos interiormente de Deus. Desejemos sempre retirarmo-nos para o mais íntimo de nós mesmas, até no meio das ocupações quotidianas. (...) O essencial é convencermo-nos de que para falar a Deus não há necessidade de gritar nem falar (...) porque Sua Majestade far-nos-á sentir que está ali presente” (C 29, 5).
Segundo a Santa, este recolhimento tem três graus: a alma adquire um certo domínio dos seus sentidos; a presença de Deus acende e estimula o amor da alma; esta prepara-se mais prontamente para entrar na oração de quietude (cf. C 28, 4, 7-8).
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Ficheiro
2012-06-19
