Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Teresa de Jesus, mestra de experiência – V
«Não direi coisa que não tenha experimentado muito» (V 18, 8); «o que disser, tenho-o comprovado por experiência» (V 22, 5; 28, 7).
Oração de quietude
Com este grau de oração, a alma entra decididamente no “sobrenatural’’. Por mais que façamos, não a podemos adquirir com todas as nossas diligências” (C 31, 2). Diz a Santa que, na oração de quietude, “estando a vontade unida a Deus, sente-se como que atraída pelo amor de Deus num silêncio contente” (cf. V 15, 1; C 31, 3). A alma dá-se conta de que não é só ela que empurra a sua vontade para Deus, e esta íntima acção divina envolve-a ao mesmo tempo numa tranquila quietude e numa profunda paz. Daí o nome característico de oração de quietude, ou oração de gostos divinos. “Interior e exteriormente, as suas faculdades estão numa espécie de desfalecimento (...) não quisera mexer-se. Como o viajante, quase ao termo da jornada, pára e descansa um pouco para melhor continuar a caminhada. Nesse repouso dobram-se-lhe as forças” (C 31, 2).
Trata-se de uma luz nova que invade a inteligência e a faz conhecer Deus de um modo novo. Na verdade, é a luz da experiência, um gosto da vontade que nada tem que ver com o processo abstracto e que produz na alma um luminoso sentimento da presença de Deus. Aqui a alma sente que assim conhece a Deus melhor do que com todos os possíveis conceitos de um desenvolvimento normal da faculdade cognitiva. Mas enquanto a vontade se sente unida a Deus na quietude e na paz, “o intelecto e a memória permanecem livres” (C 30, 3) e podem perturbar a alma com os seus movimentos “e assim anda de cá para lá, estonteado, sem se deter em coisa alguma” (4M 3, 8).
Embora este rebuliço a incomode, a alma não lhe dará atenção, pois toda a sua vontade está posta em Deus. O que a alma tem de fazer é deixá-Lo e “deixe-se a si mesma nos braços do amor. Sua majestade lhe ensinará o modo de agir. Este resume-se, quase inteiramente, em sentir-se indigna de tanto bem, emprega-se em acção de graças.” (4M 3, 8).
Este grau de oração não impede que a alma peça pelo bem da Igreja e por outras necessidades; nele há, portanto, um certo concurso da alma que, por iniciativa própria, procura manter-se serena e recolhida sob o amoroso olhar de Deus.
Este grau de oração pode durar muito tempo (cf. Rel. 5a.), e tende a prolongar-se em duração e intensidade de uma forma ulterior que a Santa Madre chamará de “sono das faculdades”, de que falaremos agora.
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Ficheiro
2012-06-21
