Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Teresa de Jesus, mestra de experiência – IX
«O Senhor ensinou-me um modo de fazer oração que me dá muito proveito, e com um grande desprendimento das coisas desta vida, com mais coragem e liberdade» (CC 2, 2).
Oração de união perfeita
Esta é a mais alta união possível com Deus enquanto se vive na terra, ou seja: a união perfeita ou matrimónio espiritual (cf. 7M 1-4). A oração de união perfeita é estável e permanente. Deus manifesta-se na totalidade do seu ser, na perfeição e na intimidade das três divinas Pessoas, que se comunicam à alma sem intermediários, ou, como escreve a Santa: “Dessa maneira, podemos dizer que a alma entende ali – por ter visto – o que cremos pela fé; embora não o tenha contemplado com os olhos do corpo nem com os da alma, porque não é visão imaginária” (7M 1, 6). Tudo o que se verifica neste estado, mesmo permanecendo no campo da fé, é fruto muito doce de uma fé singularmente penetrante, luminosa e saborosa. E, acrescenta a Santa, os êxtases geralmente cessam aqui: Colocada a alma nesta morada, “esta sente-se livre daquela extrema debilidade que tantos vexames lhe causava e da qual jamais conseguira libertar-se. O Senhor, talvez, a tenha fortalecido e dilatado, comunicando-lhe maior habilidade e capacidade” (7M 3, 12).
O próprio Jesus, mediante a sua sagrada Humanidade, revela-se plenamente no mais íntimo da alma e une-a a Si com um inexprimível vínculo de amor. Por isto, diz a Santa: “Comparemos a união a duas velas de cera perfeitamente unidas, produzindo uma só chama. Ou ao pavio, à chama e à cera formando um único círio. É possível separar uma vela da outra, ficando duas velas distintas. Como se pode também separar a cera do pavio” (7M 2, 4).
A alma mergulha num silêncio profundo e goza de uma paz e de uma quietude inalteráveis no meio de todas as angústias e fadigas. O desejo ardente do gozo de Deus tempera-se e modera-se com a ânsia de sofrer e trabalhar no seu serviço: “padecer ou morrer” (cf. 7M 3, 6-7). A oração da alma neste estado funde-se com a oração de Cristo, de quem se tornou para toda a eternidade “esposa mística”, envolta toda ela em um incêndio de luz e amor, como nota a Santa (cf. 7M 1, 6).
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Ficheiro
2012-06-27
