Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Carta: Até onde foi capaz de chegar Teresa
14/09/2012
Carmelitas de Burgos
Até onde foi capaz de chegar Teresa!
Pediram-nos, como fundação teresiana, na celebração do V Centenário do nascimento de Santa Teresa, uma colaboração.
E por que não falar, só da última fundação feita por esta grande mulher e “Mãe de Espirituais” que gastou os seus últimos dias a levantar e a deixar aos burgaleses, como prenda, o nosso “Mosteiro de São José de Santa Ana”; aqui, na praça que tem o seu nome, no começo do nosso esplêndido Passeo de La Quinta?
Condensar tudo em quatro palavras! Difícil é resumir tantas lições que esta primeira Doutora da Igreja continua a dar-nos a quantos relemos e oramos a sua experiência de vida. Se não for em quatro palavras, tentarei em “cinco frases”; mas na condição, claro, de que ireis ler esse delicioso relato que ela mesma nos faz no capítulo 31 do seu livro de “As Fundações”, de tudo quanto teve de lutar para levantar este “Benjamim” dos seus Carmelos, pois, de contrário, apenas se pode assimilar o projecto da sua mensagem.
Em todas as fundações desta nossa Madre inquieta e andarilha, aparecem três protagonistas: Ele – Jesus - a quem atribui todo o mérito de vencer a oposição que, em maior ou menor grau, sempre encontra para a levar a cabo. Os seus amigos, cujas vontades vê movidas a seu favor por Aquele. E, naturalmente, ela mesma, que se auto-menciona quase à força, ainda que o certo é que a sua habilidade e determinada determinação para encontrar em cada caso o seu objectivo sejam evidentes.
Posta a recordar essas “cinco frases” escolherei naturalmente as que Jesus – o Amigo de amigos, e sobretudo dela – lhe dirige entre os avatares desta fundação. Condensam, além disso, não só os momentos épico-trágicos dela, mas também o currículo espiritual de todo o verdadeiro crente.
1ª. Não temas, estou contigo. Algo semelhante diz Iavé aos seus eleitos no AT. E Jesus promete aos seus discípulos que estará sempre com eles até ao final dos tempos. Pois bem, quando Teresa se vê dentro de um mar de dúvidas sobre se será capaz de levar por diante, neste caso, a nossa fundação, ouve do Senhor estas palavras: “Sou o mesmo, não deixes de a fazer”.(F 31, 4)
2ª. Determinação de ir onde Ele nos pede, movidos por uma fé feita plena confiança. Com 67 anos – muito velhinha já para aqueles tempos –, e sobretudo cheia de achaques ultra-sensíveis ao reconhecido frio da nossa Burgos, tirita só perante o pensamento de vir. É quando Jesus lhe sussurra ao coração: “Não faças caso desses frios, que eu sou o verdadeiro calor”. (F 31, 11)
3ª. Total entrega nos momentos mais críticos. Numa fundação que há muito tempo acreditava já ter resolvido, o demónio complicou-a de tal maneira que os obstáculos não só não foram sendo superados, mas multiplicaram-se até parecer insolúveis. É quando de improviso, sem estar nem sequer em oração, o Amigo a anima: “Agora, Teresa, sê forte”.(F 31, 26)
4ª. A ajuda divina chega-nos a miúdo mediante mediadores seus. Teresa necessita de uma casa onde pôr o Santíssimo e abrigar a sua futura Comunidade. De repente, de forma impensável, uma pessoa amiga localiza uma que tem que ser pintada. Mas… ¿e o dinheiro? E o Senhor, demonstrando que continua junto dela pois ela quer o que Ele mesmo quer, repreende-a: “Em dinheiros te deténs?” E a fé da santa volta a mover montanhas; corações, quero dizer. E os dinheiros aparecem.
5ª. Para o verdadeiro crente, é sempre tempo de caminhar. A coisa está terminada. A nossa santa, esgotada, sente-se satisfeita por ter cumprido com a vontade do seu Deus. A de que haja na Igreja um Sacrário mais e um novo mosteiro onde umas pobres mulheres gastem as suas vidas orando por ela. E como se fosse pouco, uma casa e uma cidade muito do seu gosto… Parece que a esta mulher que percorreu o mapa de Espanha entre neves e sóis abrasadores, precipícios e caminhos enlameados, lhe chegou o momento de descansar. Mas eis que um belo dia, justamente depois de comungar, escuta as mesmas palavras que por sua vez escutarão e continuarão a escutar tantos “amigos fortes de Deus”, depois de acreditarem que já lhes chega como aos militares o de “¡Missão cumprida!”: “Em que pensas? – disse-lhe – Que tudo está acabado. Podes ir embora…” (F 31, 49).
Oxalá todos apliquemos a história, ao mesmo tempo que expliquemos o que a Santa explicou um dia: o porquê de que este Deus… tenha tão poucos amigos! Claro que, como nos recorda São Paulo, a glória que nos tem preparada é infinitamente superior aos trabalhos que nos encomenda.
E para terminar, repitamos unidas a frase teresiana por excelência: “¡Ditosas as vidas que ao serviço da Igreja acabarão!”.
Sempre unidas em Jesus, “à de Teresa” e em Teresa, “à de Jesus”.
Video
Ficheiro
2012-09-14
