Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Moradas: Ficha 1 – Prólogo
Prólogo
Estamos no mês de Junho do ano de 1577. Teresa encontra-se no mosteiro de São José de Toledo. Tem 62 anos e uma saúde muito fragilizada: «já estive bem da fraqueza do outro dia…»
Veio de Andaluzia castigada e confinada pelas autoridades supremas da Ordem (capítulo de Piacenza: 1575). Nos primeiros meses, sofreu um esgotamento psicofísico tão grave que o médico proibiu-a de escrever pela própria mão.
Em Toledo, continua retido a Inquisição o autógrafo de Vida. Teresa exprimiu recentemente desejos de completar o relato do sequestrado Livro da Vida para lhe acrescentar as últimas vivências da sua trajectória mística.
O biblista Alonso Velásquez (Rel. 63) e Graciano animam-na a escrever, elaborando uma teologia espiritual a partir da experiência vivida por Teresa.
Pistas de leitura
O prólogo oferece a Teresa a oportunidade de se apresentar e iniciar o seu diálogo connosco, convidando-nos a acompanhar de perto a composição do livro, insinuando-nos três possíveis níveis de leitura (autobiográfico, simbólico e teológico), ao mesmo tempo que nos introduz na conversa com ela.
Para reflectir, rever a vida, interceder, agradecer, contemplar…
1. Com grande simplicidade, Teresa dá-nos conta dos seus achaques e “pouca disposição”: «por ter a cabeça, há três meses com um zumbido e fraqueza tão grande…» E continua: «porque o Senhor não me deu tanta virtude, para que o pelejar com a enfermidade contínua e com muitas e variadas ocupações se possa fazer sem grande contradição sua», mas, como demonstrou outras vezes, recorre à obediência: «entendendo que a força da obediência costuma facilitar coisas que parecem impossíveis… a vontade determina-se…» (Prólogo 1).
- Fazemos, de verdade, experiência desta obediência que trabalha a nossa vontade?
2. É impressionante a confiança de Teresa nas suas irmãs: «Com o amor que me têm lhes faria mais ao caso o que eu lhes dissesse… (Prólogo 4).
Teresa tem «autoridade» entre as suas irmãs, porque a sua vida é testemunho do amor de Deus que ela quer agora comunicar-lhe, para as fazer partícipes desse dom.
- Há nas nossas comunidades, famílias, grupos, pessoas que nos inspirem esta confiança, que nos aproximam mais a Deus?
- Cria-se nos nossos ambientes, um clima de respeito pelo mistério de cada pessoa, acreditando que Deus vai obrando em todos?
3. «Grande mercê me fará o Senhor, se a alguma delas aproveitar para O louvar um poucochinho mais. Bem sabe Sua Majestade que eu não pretendo outra coisa… (Prólogo 4).
- Louvar o Senho, é esse todo o empenho de Teresa; que Ele seja conhecido e amado pelo que obra em cada um de nós.
- Peçamos ao Senhor que nos conceda dispor o nosso coração para conhecermos e vivermos o que, ao longo das seguintes moradas, Teresa nos irá mostrando, começando pela beleza e dignidade das nossas almas.
Video
Ficheiro
2012-12-12
