Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Obrigada pelas tuas filhas
Jesus esteja com Vossa Reverência, Madre minha, e O goze eternamente.
Olha como, este ano em que não pensava desfrutar do retiro anual nem sequer de uns dias de formação espiritual, as tuas filhas me ofereceram uma semana de hospedagem, precisamente aquilo de que eu necessitava.
Leva-me a enviar-te estas letras de agradecimento porque, apesar destes tempos difíceis (a que hoje chamamos crise), continuam as filhas os traços da Madre nesse «estilo de irmandade e recreio», «nessa maneira de proceder que nestas casas têm». E é que «quando um ama e faz bem a outro, fá-lo bem e ama-o segundo a sua condição e propriedades», recordará o que disse o Santo Frei João aplicado ao nosso Deus -¡como não!- ainda que, aqui as suas filhas tenham recordado a doutrina pregada pelo exemplo deste hóspede.
Que não deixem, por isso, de «contentar Deus pelo amor e pela fé que torna possível o que por razão natural não o é». Já tu lhes dizias –e no-lo dizes a todos - «aqui se há-de ver o amor, não nos cantos mas em metade do tempo». Desse amor lhes brota a necessidade de orar em silêncio, de servir os outros na sua Igreja, de trabalhar por todos.
Elas, hoje, podem dizer como tu escrevias: «Esqueçamos o nosso contentamento para contentar a quem amamos… ¿Como se conseguirá este amor? Determinando-se a trabalhar e a padecer e a fazê-lo sempre que se oferecer… Pensar no que devemos ao Senhor, e quem é e o que somos, vem-se a essa determinação». Vê-se que te agrada esta palavra pois a unes às de liberdade, amor, etc. «Pensar o que devemos…», dizes, e com isso já nos estás a atrair a «estar com Ele que sabemos que nos quer», reflectindo, orando, trilhando realidades, lendo ou ouvindo o que outros dizem d’Ele. ¿Que não temos tempo? E… ¿não será que nos falta interesse, curiosidade, gosto por transcender a teia em que andamos envolvidos, por «despertar deste sonho de morte»?
Aterrado, saio da pista. Disse que escrevia esta carta para te dar graças, particularmente, pelas tuas filhas, que oram e trabalham como Marta e Maria, «muito unidas». Que não descuidam os seus momentos de oração, que mimam sobriamente a liturgia, e o canto. Que ganham o sustento diário trabalhando, cuidam da casa e dos seus arredores, que amenizam o recreio com as técnicas para a recuperação da memória das mais velhas, que escrevem e fazem palestras. ¿Reconhece-las como tuas filhas? Tu que montavas no chocalho dos carrinhos da vida conventual. Tu, que dizias: «Agora começamos e procurem ir começando sempre cada vez melhor», ¿ reconhece-las?
Obrigado por estes dias de ajuda e “retiro”. Obrigado, Madre Teresa, pelas tuas filhas.
Frei Pedro Cárceles, OCD Benicàssim (Castelló-Espanha)
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Ficheiro
2013-01-01
