Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Teresa de Jesus e a Eucaristia (6ª parte)
Piedade eucarística
Teresa, desde criança, foi devota da celebração da Eucaristia e da presença real do Senhor na Eucaristia, um dom do Pai aos homens . Com o surgir da vida mística, a comunhão eucarística transforma-a e enamora-a de Cristo: «Não creio que sou eu a que falo desde que comunguei esta manhã. Parece-me sonhar o que vejo e não quereria ver senão enfermos do mal com que eu agora estou» (V 16, 6). «Sempre eu voltava ao meus costume de folgar com este Senhor, em especial quando comungava» (V 22, 4). Porém, esta paixão eucarística e a devoção ao Santíssimo Sacramento renovou-se com a sua experiência mística centrada no mistério de Cristo (V 27). Na comunhão encontra-se realmente com a Humanidade do Senhor (V 22; 6 M 7). Comungar é recebê-lo na sua pobre posada (CV 34, 7-8). Cresceu na medida em que foi sendo agraciada com a visão de Cristo ressuscitado na Hóstia. É possível que, nessa altura, comungasse diariamente, singularidade que chamaria a atenção na sua comunidade (V 7, 11; 40, 20).
A comunhão vai aumentando o seu amor a Cristo: «Vê-se que é mesmo o Senhor, em especial em acabando de comungar, que bem sabemos que está ali, porque no-lo diz a fé. Representa-se tão Senhor daquela pousada que a alma toda se desfaz, vê-se consumir em Cristo» (V 28, 8). Na comunhão revive intensamente o conteúdo das visões místicas cristológicas: «Quando me aproximava para comungar e me lembrava daquela Majestade grandíssima que tinha visto e via que era Ele que estava no Santíssimo Sacramento (e muitas vezes quer o Senhor que O veja na Hóstia), os cabelos se me arrepiavam e dir-se-ia que toda eu me aniquilava» (V 38, 19). E o amor de Cristo aumenta-lhe o desejo de comungar: «Vêm-me algumas vezes umas ânsias tão grandes de comungar, que não sei se se poderiam encarecer. Aconteceu-me uma manhã que chovia tanto, que parecia não estar o tempo de modo a se poder sair de casa. Estando eu fora dela, já estava tão fora de mim com aquele desejo, que, ainda que me pusessem lanças ao peito, me parece romperia por entre elas, quanto mais por água» (V 39, 22).
«Mesmo antes de sair da Encarnação para fundar estes mosteiros, comungava ordinariamente cada dia…, sendo quando ela o começou uma coisa que naquela casa não se usava, antes o recebiam de tempos a tempos, e com o seu exemplo se começou nela a continuar muito este Sacramento. Nosso Senhor deu mostras neste tempo de que gostava de que ela comungasse cada dia, porque tendo entre outras enfermidades vómitos cada dia, um pela manhã e outro à noite, o da manhã se lhe tirou totalmente em breve e nunca mais o teve, e o da noite durou-lhe toda a vida» .
A hora da sagrada comunhão é o momento forte da sua vida mística. Quando abundam as graças místicas e os teólogos assessores duvidam delas, tomam a medida cruel de afastá-la da comunhão frequente: «Disse-me meu confessor que todos concordavam em que era demónio; que não comungasse tão amiúde… Fui à Igreja com esta aflição… Tinha deixado muitos dias de comungar» (V 25, 14-15). Foi uma repressão passageira. Quando lhe proíbem a oração, o Senhor intervém: «Disse-me que lhes dissesse que aquilo já era tirania» (V 29, 6). Nessa altura, a sua piedade eucarística já se tornara fogo incandescente, como refere Pedro Ibáñez no Ditame sobre o seu espírito: «Estas coisas (as graças místicas) vêm-lhe depois de longa oração e de estar muito posta em Deus, abrasada em amor ou comungando» . «Tendo comungado» recebe o carisma e a missão de fundadora (V 32, 11). A comunhão concede-lhe abundantes graças (R 26, 2; 15, 1-4; 47; 49). Ao receber a comunhão das mãos de frei João da Cruz, é-lhe dada a graça esponsal do matrimónio espiritual (R 35; 2 M 7, 2). A comunhão é vida da alma e remédio para o corpo: «clara e notavelmente sinto saúde corporal, pelo menos quando comungo» (R 1, 23); «grande medicina até para males corporais» (CV 34, 6).
P. Manuel Reis
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Ficheiro
Teresa_SSTrindadeEncarnacaoEucaristia_parte6.pdf ![]()
2013-11-19
