Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Teresa de Jesus e a Eucaristia (7ª parte)
Experiência eucarística
A sua «experiência mística» é a sua «experiência eucarística». Fez a experiência da aparição do Senhor Ressuscitado. O Senhor manifestava-se-lhe como outrora, nos dias de Páscoa, o fazia com os seus Apóstolos. Ela percorreu o caminho dos Apóstolos na Páscoa da Ressurreição e, como eles, compreendeu a vontade de Deus que quer, em Cristo, reunir todos os homens. Teresa exprime a sua fé e o seu amor à Eucaristia, as suas tão grandes ânsias de comungar o amor do Senhor. Ela mesma, no fim do relato da Vida, confidencia a impetuosidade do seu desejo de comungar: «ainda que me pusessem lanças ao peito, me parece romperia por entre elas».
«Vêm-me algumas vezes umas ânsias tão grandes de comungar, que não sei se poderiam encarecer. Aconteceu-me uma manhã que chovia tanto, que aprecia não estar o tempo de modo a se poder sair de casa. Estando eu fora dela, já estava tão fora de mim com aquele desejo, que, ainda que me pusessem lanças ao peito, me parece romperia por entre elas, quanto mais por água» .
Os principais acontecimentos da sua história de salvação nascem da Eucaristia. Em primeiro lugar, a sua missão de fundadora: «Tendo eu um dia comungado, Sua Majestade mandou-me instantemente que o procurasse realizar com todas as minhas forças» (V 32, 11). O relato de Vida conclui com uma série de graças eucarísticas: a graça pentecostal do Espírito Santo pairando sobre a sua cabeça (V 38, 9-10), e as seguintes (V 38, 19. 23. 30. 31). Na sua maioria, são recebidas no momento da comunhão: «Em comungando» desaparecem os achaques corporais (R 1, 23; CV 34, 6). Na liturgia eucarística do Domingo de Ramos, saboreia o sangue do Senhor (R 26). No momento da comunhão recebe a graça que a introduz nas sétimas moradas (R 36). As graças místicas eucarísticas adornam a sua última jornada de fundadora (F 30-31).
Teresa tem experiência especial do mistério da Eucaristia e da presença real do Senhor (V 28, 8), do seu sangue derramado (R 26), da majestade do Senhor ressuscitado e glorificado, encoberto pelo sinal sacramental: «Quando eu vejo – desde então para cá – uma Majestade tão grande oculta em uma coisa tão pequena como é uma Hóstia, não posso deixar de me admirar de tão grande sabedoria. Não sei mesmo como o Senhor me dá ânimo e esforço para me chegar a Ele» (V 38, 21). «Quando me aproximava para comungar e me lembrava daquela Majestade grandíssima que tinha visto e via que era Ele que estava no Santíssimo Sacramento (e muitas vezes quer o Senhor que O veja na Hóstia), os cabelos se me arrepiavam e dir-se-ia que toda eu me aniquilava» (V 38, 19). As suas confidências eucarísticas são delicadíssimas (CV 34, 6-7).
P. Manuel Reis
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Ficheiro
Teresa_SSTrindadeEncarnacaoEucaristia_parte7.pdf ![]()
2013-11-28
