Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Catequeses Teresianas – VI
Continuamos a meditar na possível riqueza que o símbolo morada evoca.
Morada é o espaço onde a pessoa se encontra bem, onde «está em casa», onde o amor se entranha, onde a zanga se dilui, onde a compreensão, o perdão, a reconciliação e a harmonia também ‘estão em casa’. É o espaço de comunhão nos afectos mais enternecedores e onde primeiro a pessoa aprende a amar.
A morada sintetiza o que de mais íntimo, pessoal ou familiar vivemos na nossa vida única e intransmissível. Oferece descanso às fadigas da vida. Nela os habitantes fogem da insegurança e dos medos, suscitados não só pelas intempéries, mas também pelas agressões do meio ambiente estranho, animal e humano. Quando se sentem acossados por tempestades e vendavais, retiram-se para a sua morada acolhedora e protectora, como para o seu porto de abrigo ou ninho de conforto. A morada é um espaço interior, repositório das emoções e dos sentimentos mais marcantes da nossa existência, que nos remetem para o melhor de nós próprios. Tem a ver com o nosso ser e com a história que se desenrola nos seus vários aposentos. É o lugar onde mais falamos com os da nossa família e também onde mais nos confrontamos connosco e com os outros, onde revisitamos na meditação o que vivemos fora da morada. É o lugar de escuta, de confronto e das comunicações preferenciais, onde até o silêncio é meio de comunicação. Na nossa morada, a palavra, a comunicação dão força maior à convivência e à capacidade de doação mútua. Aí escuta-se antes de falar, e o filho do crente aprende a rezar, a escutar Deus e a elevar-se para a transcendência: aprende a introduzir a transcendência na sua imanência. A morada é lugar importante da vivência e da transmissão da fé. Nela, a fé é ‘mamada’, recebida por filhos, netos, sobrinhos, afilhados…
P. Armindo Vaz, OCD
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Ficheiro
2013-12-04
