Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Cartas: Ficha 6
TERESA VIVE O REINO EM CAMINHO COM OUTRAS PESSOAS (2)
«Alegro-me de que não esteja com vossa paternidade o padre frei António,
porque, como vê tantas cartas minhas e não para ele,
dá-lhe muita pena, segundo me diz.
Oh Jesus! e que coisa é entender-se uma alma com outra,
que nem falta o que dizer nem dá cansaço!»
Ao padre Jerónimo Gracián, Toledo, até dezembro 1576
1. Proposta de leitura
Ao P. Domingo Báñez. Salamanca, 28.2.1574. MC 61. EDE 57. BAC 60
A D. Teotónio de Bragança. Segovia, 3.7.1574. MC 69. EDE 66. BAC 69
A Jerónimo Gracián. Toledo, 3.1.77 (ou até dezembro 1576) MC 170. EDE 169. BAC 170
A Roque de Huerta. Toledo, 14.7.1577. MC 203. EDE 199. BAC 200
Ao rei D. Felipe II. Ávila, 4.12.1577. MC 218. EDE 211. BAC 211
Outras cartas aconselhadas e não incluídas na seleção da Comissão:
A Diego Ortiz. Salamanca, meio de agosto 1570. MC 32. BAC 28. EDE 29 (BAC y EDE la datam em 29.3.1571)
A Felipe II. Ávila, 11,6.1573 MC 52. EDE 48. BAC 51
A Francisco Salcedo. Salamanca, 3.8.1573 MC 55. EDE 51 (EDE a data de 2 de agosto). BAC 54
A Jerónimo Gracián 9.1.1577, MC 174. EDE 172. BAC 173
A Ana de San Alberto. Toledo, 2.7.1577, num. 6. MC 200. EDE 196. BAC 197
A Jerónimo Gracián, Ávila, dezembro 1577? MC 217. EDE 465. Datação incerta (a EDE a põe entre fragmentos ácrono). BAC FA-12 (463).
A Teotónio de Bragança, 16.1.1578, 1-4 MC 226. EDE 217. BAC 216
A Maria de Jesus, Malagón, princípios de fevereiro 1580. MC 329. EDE 311 (datada 13-1-1580). BAC 310
A Jerónimo Gracián. Toledo, agosto 1576,1 MC 116. EDE 111. BAC 113
2. Pistas gerais de leitura e partilha (cf. Ficha 1)
Lemos as CARTAS desde esta chave de leitura:
A amizade ao serviço do Reino e da missão, ou dito de outro modo,
a relação entre a afetividade de Teresa e a sua vivência da missão
3. Para refletir, orar… depois da leitura dos textos
Teresa implicou na sua missão não só um grupo escolhido de pessoas, mas soube transmitir, por palavras e por obras, a bondade e a validade do seu projeto. Nele está incorporada a vontade de Deus e o serviço à Igreja. Ela não é senão um instrumento nos planos de Deus. Não se busca a si mesma. É o que sobressai na sua proximidade e amizade com todo o tipo de pessoas. Quando defendemos apaixonadamente atitudes pessoais, as apoia a fidelidade ao evangelho ou algum obscuro rebrote de orgulho? Propomos e argumentamos os nossos projetos com paz e sensatez?
Domingo Báñez: 28.2.1574. Teresa tem uma graça particular para captar a atenção e o carinho das pessoas. Não deixa de manifestar ao começo das suas cartas o afeto que sente pelo destinatário dela. Ao P. Báñez até lhe fala de “encantamento” (1). E, num clima de franca amizade deita-lhe à cara certos silêncios para com ela (9), ao mesmo tempo que aceita o seu parecer: «o que ele quer, quero» (1); por outra parte, se erige em sua mestra espiritual: «Vontade tenho eu de lhe falar algum dia desses medos que tem, que não faz senão perder tempo e de pouco humilde não me quer crer» (9) e comenta com ele um sem número de detalhes da vida quotidiana. Teresa é um bom exemplo de abertura nas relações humanas. Mas nem todos temos as suas qualidades. É recomendável um maior recato e prudência? Os nossos temores podem ser falta de liberdade interior?
Teotónio de Bragança: sobre a oração 3.7.1574: «E procure vossa senhoria algumas vezes, quando se veja apertado, ir-se aonde veja céu e andar passeando, que não se acabará a oração por isso, e é necessário levar esta nossa fraqueza de modo que não se aperte o natural. Tudo é buscar a Deus, pois por ele andamos a buscar meios, e é necessário levar a alma com suavidade.» (4) Seria proveitoso comentar em grupo o conteúdo destas frases de Teresa e clarificar expressões como “ver-se apertado”, “não se acabar a oração” por sair da capela e ver o céu ou passear, “levar esta nossa fraqueza de modo que não se aperte o natural”, “buscar a Deus” e “buscar meios”, “levar a alma com suavidade”.
Jerónimo Gracián: Teresa está prendada dele. Toda a carta transparece uma forte intimidade que incorpora tanto o nível pessoal como o apostólico. «Cada dia me tem vossa paternidade com maior obrigação pelo cuidado que tem do meu contento» 9.1.1577 (1). Sobre o «casamenteiro» que «deu o nó tão apertado que só a vida o tirará e ainda depois de morta estará mais firme» 9.1.1577 (5). «Apertá-las no exterior e não ter quem no interior as ajude, é grande trabalho; assim o tive eu até que foram os descalços à Encarnação» 9.1.1577 (2). É conhecida a opinião de santa Teresa: «Grande mal é uma alma só» (Vida 7,20). Tens-te sentido acompanhado/a no teu caminho espiritual? Que podes oferecer ao grupo, a partir da tua experiência pessoal?
À Madre Ana de São Alberto: «Não as tem de levar a todas pela mesma bitola» 2.7.1577 (2). «Levá-la como a doente… Basta que faça boamente, como dizem, o que puder e que não ofenda a Deus» 2.71577 (2). «Se tem a alma boa, considere que é morada de Deus» 2.7.1577 (3). Poderíamos dizer que estes critérios de Teresa afetam mais diretamente a quem detenha a autoridade ou exerce de acompanhante, que ao súbdito ou acompanhado?
As cartas 216 e 217 ao P. Jerónimo Gracián são um claro expoente da sensatez de Teresa e da sua profundidade espiritual. Diz ela que é preciso descansar e dormir, e não se enganar com o trabalho desmesurado «por serviço de Deus»: 12.1577 (2). É válido este critério para a nossa vida acelerada de hoje?
A Teotónio de Bragança. Pede-lhe de uma maneira genial que não deixe de favorecer a sua obra fundadora nuns momentos cruciais onde parece que tudo se desmorona: 16.1.1578 (3). Por outra parte, se o Senhor dá multidão de trabalhos, também «mede o padecer conforme as forças» 16.1.1578 (5). Comentando os falsos testemunhos contra Gracián, contra ela e as descalças, cabe destacar a reação de todos, centrada na paz e na alegria: 16.1.1578 (6). Ante as dificuldades, incompreensões ou rejeições que podemos experimentar, encerramo-nos na nossa aflição ou procuramos ajuda? Sentimo-nos abandonados por Deus ou pensamos que a sua graça nos basta? Acobardamo-nos ou reagimos com coragem de um modo pacífico e alegre?
Video
Ficheiro
2013-12-05
