Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Teresa de Jesus e a Eucaristia (10ª parte)
«O extremo de amor que nos tem»
«Vendo Jesus a necessidade, buscou um meio admirável por onde nos mostrou o extremo de amor que nos tem e, em Seu nome e no de Seus irmãos, fez esta petição: “O pão nosso de cada dia, nos dai hoje” (...).
Vendo o bom Jesus o que por nós tinha dado, e a grande dificuldade que havia – como está dito – por sermos nós tais como somos e tão inclinados a coisas baixas e de tão pouco amor e ânimo, era mister vermos o Seu para despertarmos, e isto não uma vez, mas cada dia, aqui se deve ter determinado a ficar connosco. E, como era coisa tão grave e de tanta importância, quis que nos viesse da mão do Eterno Pai. Porque ainda que sabia que o que Ele fizesse na terra o faria Deus no Céu e o teria por bom, pois são uma mesma coisa e a Sua vontade e a de Seu Pai uma só, era tanta a humildade do bom Jesus, que quis como que pedir licença, porque já sabia que era amado do Pai e que n’Ele se deleitava. Bem entendeu que pedia mais nisto do que tinha pedido em tudo o mais, porque já sabia a morte que Lhe haviam de dar, e as desonras e afrontas que havia de padecer.
Pois que pai haveria, Senhor, que tendo-nos dado Se Filho – e tal filho – e pondo-Lho em tal estado, quisesse consentir que ficasse entre nós a padecer de novo cada dia? Por certo, nenhum, Senhor, a não ser o vosso; bem sabeis a Quem pedis. Oh! valha-me Deus! que grande amor do Filho, e que grande amor o do Pai! Ainda não me espanto tanto do bom Jesus, porque como já tinha dito “fiat voluntas tua”, tinha-o de cumprir como quem é. Sim, que não é como nós, pois, como a conhece, cumpre-a amando-nos como a Si, e assim andava a buscar como cumprir este mandamento com maior cumprimento, embora fosse à Sua custa. Mas Vós, Pai Eterno, como o consentistes? Como quereis ver cada dia em tão ruins mãos o Vosso Filho? Já que uma vez quisestes que o estivesse e o consentistes, bem vedes como Lhe trataram! Como pode a vossa piedade, cada, dia, ver as injúrias que Lhe fazem? E quantas não se hão-de hoje fazer a este Santíssimo Sacramento! Em quantas mãos inimigas Suas não O há-de ver o Pai! Que desacatos os destes hereges!
Ó Senhor Eterno! Como aceitais tal petição, como o consentis? Não vejais o Seu amor, que a troco de fazer cumpridamente a Vossa vontade, e de a fazer por nós, se deixará fazer em pedaços cada dia! É de Vós, Senhor meu, o olhar a isto, já que a Vosso Filho nada se Lhe põe diante. Porque há-de ser todo o nosso bem à Sua custa? Porque a tudo Se cala e não sabe falar por Si, senão por nós? Pois, não haverá quem fale por este amantíssimo Cordeiro? Tenho reparado que só nesta petição duplica as palavras, porque diz primeiro e pede que Lhe deis este pão de cada dia, e torna a dizer: “dai-no-lo hoje, Senhor”. Põe-se também diante de Seu Pai, como a dizer-Lhe: já que uma vez no-Lo deu para que morresse por nós, que já é “nosso”, não no-Lo torne a tirar, mas O deixe servir, cada dia, até se acabar o mundo. Que isto vos enterneça o coração, filhas minhas, para amar o Vosso Esposo: não há escravo que de boa vontade diga que ó é, e o bom Jesus parece que se honra disso.
Ó Eterno Pai! Muito merece esta humildade! Com que tesouro compramos o Vosso Filho? Vendê-Lo, já sabemos que por trinta dinheiros (Mt 26, 15), mas para O comprar, não há preço que baste! Como se faz aqui uma coisa connosco pela parte que tem de nossa natureza e, como Senhor da Sua vontade, lembra a Seu Pai – pois que é Sua – que no-la pode dar; e assim diz: “o pão nosso”. Não faz diferença entre Si e nós, mas nós fazêmo-la entre nós e Ele, para não nos darmos cada dia por Sua Majestade» .
P. Manuel Reis
Video
Ficheiro
Teresa_SSTrindadeEncarnacaoEucaristia_parte10.pdf ![]()
2013-12-20
