Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Teresa de Jesus e a Eucaristia (11ª parte)
«Tido em tão pouco… o Santíssimo Sacramento»
Teresa viveu o mistério da Eucaristia nos tempos difíceis da Reforma, que, como sabemos, foram tempos de crise eucarística, como nos testemunha, aliás, a própria Santa.
Por um lado, o protestantismo, rompeu com a limpidez da fé eucarística, modificou a sua celebração e recusou a devoção e o culto da presença real. Por outro, o catolicismo, por meio dos decretos doutrinais do Concílio de Trento sobre a Eucaristia e o Missal Romano de Pio V, reafirmou a sua concepção teológica e pastoral da eucaristia. «A Eucaristia é o alimento espiritual das almas, a fim de conservar e robustecer nelas a vida cristã e servir de antídoto contra as faltas de cada dia e de preservativo contra os pecados mortais».
Os escritos de Teresa contêm referências luteranas sobre a Eucaristia. As notícias que lhe chegavam do estrangeiro, a sua troca de impressões com bispos e teólogos, levaram-na a reagir emotivamente, melhor dito, misticamente perante «os danos da Cristandade» operados pela heresia luterana, centrados na doutrina e na prática eucarística dos católicos. Reza ao Pai por Cristo, seu Filho, e pela unidade da sua Igreja dividida. Esta estupenda oração ecuménica realça a função da mulher na Igreja – não aborrecidas, mas favorecidas pelo Senhor – realçando em particular a sua missão contemplativa apostólica de orante pelas necessidades da Igreja .
«Ó Pai Eterno! Olhai que não são para olvidar tantos açoites e injúrias e tão gravíssimos tormentos. Como, pois, Criador meu, podem sofrer umas entranhas tão amorosas como as vossas que aquilo que fez Vosso Filho com tão ardente amor e para mais Vos contentar a Vós – pois Lhe mandaste que nos amasse – seja tido em tão pouco como hoje em dia têm esses hereges o Santíssimo Sacramento, que Lhe tiram as Suas moradas, desfazendo as Igrejas? Se ainda alguma coisa Lhe ficara por fazer para Vos contentar! Mas tudo fez com perfeição. Não bastava, Pai Eterno, que não tivesse onde reclinar a cabeça enquanto viveu e sempre em tantos trabalhos, senão que Lhe tirem agora essas moradas que tem para banquetear Seus amigos, por nos ver fracos e saber que é mister que os que hão-de trabalhar se sustentem com tal manjar? Não tinha Ele já pago suficientemente pelo pecado de Adão? Sempre que tornemos a pecar, há-de o pagar este amantíssimo Cordeiro? Não o permitais, Imperador meu. Aplaque-se já Vossa Majestade; não olheis para os nossos pecados, mas sim a que nos redimiu o Vosso Sacratíssimo Filho, e aos Seus merecimentos e aos da Sua gloriosa Mãe e de tantos santos e mártires que morreram por Vós! Ai de mim, Senhor! Quem se atreveu a fazer esta petição em nome de todas! Que má intercessora, filhas minhas, para serdes ouvidas e para que fizesse por vós a petição! Mais se há-de indignar este soberano Juiz ao ver-me tão atrevida, e com razão e justiça! Mas vede, Senhor; já que sois Deus de misericórdia, tende-a desta pecadorazinha, vermezinho que assim se atreve convosco! Vede, Deus meu, os meus desejos e as lágrimas com que sito Vos suplico e olvidai as minhas obras, por quem sois! Tende lástima de tantas almas que se perdem e favorecei a Vossa Igreja! Não permitais, Senhor, mais danos na Cristandade. Dai luz a estas trevas!» .
P. Manuel Reis
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Ficheiro
Teresa_SSTrindadeEncarnacaoEucaristia_parte11.pdf ![]()
2014-01-10
