Santa Teresa de Jesus
PARA VÓS NASCI
V Centenrio
do Nascimento de Santa Teresa
1515-2015
Teresa de Jesus e a Eucaristia (13ª parte)
Memória da Páscoa
O Concílio Vaticano II, na sequela do Concílio de Trento, perspectiva a Eucaristia como memorial da morte pascal de Cristo na cruz: «Instituiu o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue. Por ele perpetua pelos séculos, até que volte, o sacrifício da cruz, confiando deste modo à Igreja, sua amada Esposa, o memorial da sua morte e ressurreição».
«A Eucaristia é a auto-definição e a auto-doação de Jesus aos homens. A Eucaristia é o memorial-resumo da vida de Jesus, que comeu com os pecadores e, ressuscitado, ofereceu comunhão de vida com eles». A Eucaristia, como «memorial da paixão do Senhor» , enquanto memorial da morte e ressurreição de Cristo (1 Co 11, 26), é evocada por Teresa como actualização real da Paixão do Senhor. A Eucaristia é a sua Páscoa diária, onde, no sacramento, o Senhor «disfarça» a infinita majestade de sua humanidade glorificada.
«No Domingo de Ramos, ao acabar de comungar, fiquei com grande suspensão, de modo que nem podia engolir a sagrada partícula. E tendo-A ainda na boca, quando voltei um pouco a mim, pareceu-me verdadeiramente que toda a boca se me enchera de sangue. Parecia-me que também o rosto, e toda eu estávamos cobertos dele, que estava quente como se então o Senhor acabasse de derramá-lo. Era excessiva a suavidade que então sentia. Disse-me o Senhor: “Filha, Eu quero que meu Sangue te aproveite e não tenhas medo que a minha misericórdia te falte. Derramei-o com muitas dores e tu, como vês, gozas dele com grande deleite. Bem te pago o banquete que me fazias neste dia» .
Nesse mesmo Domingo de Ramos de 1571, em Salamanca, fez a experiência eucarística do Ressuscitado à semelhança dos discípulos de Emaús que “o reconheceram ao partir do pão” (Lc 24, 30).
«Antes disto tinha estado, creio que três dias, com aquela grande pena – que trago umas vezes mais do que outras – de estar ausente de Deus. E, nesses três dias, ela tinha sido tão grande que parecia não poder sofrê-la. Tendo estado assim aflita, vi que era tarde para tomar a colação, mas não podia. E por causa dos vómitos, fico com muita fraqueza se não a tomar um pouco mais cedo. Assim, com muito esforço, pus o pão diante de mim para me obrigar a comê-lo. E logo se me representou ali Cristo. Parecia-me que me partia o pão, que mo ia meter na boca, e disse-me: “Come, filha, e passa isto como puderes, pesa-Me o que agora padeces, mas isto te convém agora”. Tirou-me aquela pena e fiquei consolada, porque pareceu-me verdadeiramente que estava comigo, bem como todo o outro dia. Com isto se satisfez então o meu desejo» .
«Fazei isto em memória de mim». «O mistério pascal de Cristo não pode ficar somente no passado, já que, pela sua morte, Ele destruiu a morte, e tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente. O acontecimento da cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida» . «A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo... a actualização e a oferenda sacramental do seu único Sacrifício na liturgia da Igreja que é o seu corpo» . «Na missa ou Ceia do Senhor, o povo de Deus é convocado (...) para celebrar a memória do Senhor» . «A Eucaristia não recorda simplesmente um facto; recorda-o a Ele!» . A celebração da Eucaristia deve ser diária: «podemos oferecer muitas vezes ao Pai o Seu Filho em sacrifício» . Deve ser celebrada de acordo com os cânones da Igreja . Fala do mistério da «presença» real de Cristo na Eucaristia e das atitudes perante ela: o recolhimento orante, os seus grandes desejos de comungar, a comunhão espiritual, a preparação espiritual para comungar dignamente o Senhor e adorá-lo no Santíssimo Sacramento .
A Eucaristia, além de memorial da Paixão do Senhor, é, na experiência de Teresa, verdadeiro encontro com o Senhor Ressuscitado.
«Se todas as vezes – por condição da natureza ou enfermidades – não se pode pensar na Paixão por ser penoso, quem nos tira de estar com Ele depois de Ressuscitado, pois tão perto O temos no Sacramento, onde já está glorificado?» .
Na sua visão da Igreja, centrada na Eucaristia, a padecer tão grandes males, na profanação do sacrifício e dos sacramentos, Teresa suplica ao Pai pela sua Igreja por meio do Santíssimo Sacramento.
«Se Seu Santo Filho nos dá um meio tão bom para que O possamos oferecer em sacrifício muitas vezes, valha-nos tão precioso dom para que não vá avante tão grandíssimo mal e desacatos como se fazem nos lugares onde havia este Santíssimo Sacramento entre os luteranos, destruídas as Igrejas, perdidos tantos sacerdotes, tirados os Sacramentos».
P. Manuel Reis
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Ficheiro
Teresa_SSTrindadeEncarnacaoEucaristia_parte13.pdf ![]()
2014-01-17
